quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Diálogo incolor

Desafio Preto & Branco Fábrica de Letras

P. - Sabes, Branco, escolheria o Preto se me fosse perguntado que cor gostaria de ser, mesmo apesar de não saber o que é estar na pele de outras cores! 
B. – Queres explicar-te?...
P. – Claro. Não foi o que combinámos e que estamos a fazer, pôr o Preto no Branco, o que quer que isso seja?...
B. – Sim, de facto estamos a fazê-lo desde o “D” lá de cima, do titulo… Mas isso, por si só, não torna as coisas claras!
P. – Eu sei. Bem, eu e tu já falámos sobre isto, noutras folhas, Cinzentas como só nós as sabemos pintar, com as palavras organizadas de outra forma, eventualmente.
O que quero dizer é muito simples. Foi depositado em mim o fado. Também o luto, de grande parte do mundo. Eu sou a cor da tristeza, da solidão. Tu és o neutro que me dá sentido, nas vezes que a cor que sou o tem. Sou de resto a cor posta de lado, pela maior parte das outras cores. Que se servem de mim para se destacarem, num realce que as torna deusas, como se fosse só esse o bem que lhes posso fazer… esquecem-se que sou eu quem lá está, com elas, quando a noite se veste de dor, e as lágrimas que choram lhes esborratam as cores, dentro da cor que são.
B. – O que é que te levaria então a escolher essa mesma “pele”, se isso é ver os outros bem, num caminho que seria sempre paralelo à felicidade, como já é o teu, sem nunca lhe poder percorrer o trilho?
P. – Enganas-te, Branco, enganas-te. Se a felicidade é o caminho, não tem de haver nem haverá um só caminho onde se pode ser feliz. Aceitar a vida como ela se oferece, não é sinónimo de nos acomodarmos às situações. Eu serei feliz, sim, feliz, se me souber a contribuir, de que maneira for, para a felicidade alheia! Vejo demasiado egoísmo, por essas cores fora, mas se o confrontasse, eu não seria Preto.
V. – Oi, desculpem. Ups… parece que nos enganámos. Este não é o Diálogo colorido, pois não?
P. – Não, Vermelho. Este é o Diálogo incolor. Onde todos podem participar.
A. – Vocês desculpem, mas esperam por nós no Diálogo colorido. Anda Vermelho, não é de bom-tom chegar atrasado…
P. – Convidaram-te Branco, ouviste falar neste Diálogo?
B. – De facto não... Parece que afinal estamos em extremos que se tocam…
P. – Se a minha ausência proporciona felicidade, como não hei-de ser feliz? – Porque hei-de querer estar onde não me querem? – Fizeram de mim o primeiro passo, no caminho da sua felicidade. E condenaram-me, assim, a ser feliz, por eles!
É saber que se recebe, quando se dá!

DIÁLOGO INCOLOR
(P. Preto / B. Branco / V. Vermelho / A. Azul)

Gemini


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Desafio



Nirvana desafiou-me e eu aceitei, claro. As condições para completar este desafio são:

1º - Seguir as regras.
- Há bem mais difíceis e eu também as cumpro...

2º - Levar o sêlo que identifica quem está, esteve ou estará no desafio.
- Estão a vê-lo? Aqui em cima? - Pois, é este.

3º - Completar as seguintes frases:
a) - Eu já... Amei!

b) - Eu nunca... Vou deixar de acreditar no Amor!

c) - Eu sei... Que é sempre mais feliz quem mais ama!

d) - Eu quero... Amar, amar perdidamente!

e) - Eu sonho... Encontrar alguém que complete estas frases, como eu as completo!

4º - Depois de completar as frases, indicar cinco blogues para darem seguimento ao desafio.
- Desta vez são estes:








sábado, 7 de Novembro de 2009

Mente, Irreversível(mente)...

Dois mais dois é igual a quatro. Por enquanto…

Ou talvez se retirarmos as letras, se consiga ler melhor. Então cá vai:

2 + 2 = 4

Isto ensinaram-me ainda criança. Anexaram uns exemplos, com peças de fruta à mistura e tal, para comprovarem, e eu resolvi acreditar. Na altura, pensava para mim: "Se não for verdade, há-de vir a saber-se".
Tal como me disseram, ainda miúdo, que se caísse a um poço, morreria.
- Mantém-te longe dos poços – alertavam-me – olha que se caíres, não há nada a fazer, morres. - E quanto à morte, bem, quanto à morte meus amigos, depois de entender o que era, ainda criança, resolvi nunca facilitar, dentro do risco que já corro por ter nascido! Nem facilitar com a minha, nem com a dos outros. E aqui chego ao que gostaria de sublinhar.

Não me apazigua o facto de haver justiça prevista que se me aplique, no caso de num acesso de irresponsabilidade, os meus excessos ceifarem vida(s) alheia(s).

Já cometi os meus excessos… Agora que penso nisso… Mas na altura não o eram, para mim, claro. Ainda assim quando o foram, não colocaram terceiros em risco. Por vezes tento imaginar-me num cenário de culpado. E concluo que teria tudo menos paz comigo próprio. Concluo que nenhuma pena a que fosse condenado, faria justiça à minha culpa.

Se há algo que o tempo me tem ensinado a relevar, é a irreversibilidade de determinadas questões. E haverá algo mais sensível neste assunto do que a vida/morte? – Não me parece.

Por quanto tempo iremos nós comportarmo-nos desta forma? Desta forma egoísta que, em troca de algum prazer, como o é por exemplo a velocidade nas estradas, colhe vidas de pessoas que seguem o seu caminho dentro das regras?... Como pode alguém retirar prazer de lançar pedras desde os viadutos das auto-estradas, para partir pára-brisas, e ficar a ver a gincana, o conjunto de reflexos do condutor, para não se despistar?... E tantas, tantas outras situações…

Haverá pena que faça justiça a tamanhas barbáries?... Não pode haver…

domingo, 25 de Outubro de 2009

Quando é que me serei?...

Per
fil
Hoje é verdade, amanhã é mentira. Depois muda(m-nos)!

Até ao ponto em que começaremos a ser o somatório de ambas.

Nunca será exacto, e a sua inexactidão, demorará uma vida a perfilar! É preciso ter-se consciência, de uma mutação constante! – É uma exposição muito perigosa, que poderá ser-nos madrasta…

Não estaremos sempre no mesmo ponto – lugar comum – não gostaremos sempre das mesmas coisas, toleraremos situações (para nosso pasmo) que jurámos dentro de nós, nunca tolerar. Aparece-nos o nunca, que nunca diríamos… Veremos beleza onde não víamos, mas principalmente, muito do que víamos belo, desencanta-se, em nós. Instala-se-nos o descrédito, no Homem, e eu pergunto-me para onde é que me dirijo?!

Se tenho a capacidade/possibilidade de me construir, porque haverei de me deixar destruir pelo descrédito nos/dos meus iguais? Foi para desacreditar que me cultivei? – Não! Não me acomodarei! Antes, serei a mudança que quero para o Mundo.

(Quase) todo o perfil, tristemente, almeja superiorizar-se a outro perfil. Numa competição feroz, traiçoeira e muitas vezes covarde. Se tal postura dificilmente se justificaria se da sobrevivência se tratasse, o que terá tanto valor, para "nos" espezinharmos desta forma?

Que bom que será ser-se melhor que outros, não por mérito próprio, (onde veríamos terceiros a reconhecer-nos qualidades) mas por intermédio do exercício de inferiorizar!

A água, não afoga a água, o ar, não sufoca o ar!

Perfil, perfil… Há quem não tenha para o ter!

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Labi(o)rinto de sensações...






Haverá outra parte de nós, que viva tamanha cumplicidade? – Talvez.

Superior, inferior. Só entre eles, é que o não são. Tão diferentes, aos nossos olhos! Gémeos, no sentir e agir! Beijam-se como nenhuns outros. A cada bocejo, cada suspiro, a cada palavra proferida. Num desabafo, festejo. Qualquer desculpa que os separa, justifica-lhes um reencontro singular, mágico, que exibem, orgulhosos, ao resto do corpo.

E se para um beijo são precisos no mínimo dois, é deles que falaremos. Dos nossos lábios, claro. A Natureza jurou-os parceiros, quais siameses, em fidelidade eterna. E se são lábios, beijam. Beijaram. Irão beijar.
O beijo começa entre eles, antes de tocarem uma face, uma mão, outros lábios. É também entre ambos que termina.

Um beijo é sempre verdadeiro. Mesmo o falso, porque se quer que seja. Ou porque não conseguiremos camuflar (nele) o que nos vai por dentro.

Há beijos que contêm tamanha felicidade, tão grande cumplicidade, que chegam a recrutar lágrimas, em auxílio do sentir. Depois haverá os das outras lágrimas, as que não queremos que venham…

Beijo – Principio, fim. O que desponta o sorriso, o que encerra a lágrima. O de ambos. Que interrompe a palavra, que a substitui quando lhe é superior, humildemente superior.

Poderemos definir um beijo? - Tenho comigo que ele se define, simplesmente, no momento em que o é.

Quem nunca beijou, sorrindo a tristeza?...
Quem nunca beijou, chorando a felicidade?...

Beijo… Provavelmente o inicio, eventualmente o fim!

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

PSSIIUUU!!

Hoje faço seis meses!

Quero colinho...

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Acorda, Bambi! *










A dormir. Era como andava. Com os seus olhos azuis abertos. De resto, a única coisa verdadeiramente clara na sua cabeça.

Saía cedo para o trabalho e tarde chegava, vindo dele. No início era o trabalho, que o afastava dela, que o afastava deles. Ela era a esposa de sonho, do dele, que todo o homem quer. Com umas costas largas, assim do tamanho da cama, aquela onde já mal se cruzavam. Ela compreendia-lhe o madrugar para o emprego. Coincidência ou não, a promoção tinha surgido com o casamento. Como num inicio quase tudo são rosas, o casamento também o é. Então ele pôde contar com o apoio dela, para se entregar de corpo e alma, mais de corpo, ao seu novo cargo. Ele sempre pudera contar com ela, mais do que ela com ele, durante o período de experiência que é o namoro, antes de assinarem o contrato que é o casamento. Um contrato onde se incluem de forma estranhamente consciente, clausulas que não se vão cumprir.
E durante muito tempo também lhe compreendeu o serão, para o trabalho. – Se fosse ao contrário, a posição deles, de certo que ele também compreenderia.
Mas o madrugar dele tornou-se mais pesado, mais difícil ao fim de uns tempos. Por consequência mais tardio. Foi na altura em que, para casa, levava cravado na roupa um intenso cheiro a tabaco e se deitava com um forte bafo a álcool. Isto veio a trazer-lhe solidão ao acordar. Na cama estava só ele de manhã, mas isto nada lhe disse. Durante meses, a hora de deitar dele foi o despertador dela. Até que chegou a noite, a primeira, em que já não se deitou naquela cama. A cama onde ele já não lhe iria despertar a dor.

Os serões de trabalho há muito que terminavam num bar. Ou noutro. Se nas primeiras vezes lhe era politicamente correcto acompanhar os novos colegas, da direcção da empresa, num copo social, agora era ele quem convidava. E em algumas ocasiões chegava mesmo a ir sozinho. Agora ainda mais. Porque a sua esposa, agora, já não era sua mulher.

Ela adora flores. Há quanto tempo não lhe ofereço flores?... – Pensou – O que tenho eu andado a fazer?...

Deu ordens à Secretária de Direcção para que encomendasse um belo ramo de rosas. Sabia ir ser difícil o perdão. Preparou-se para o não.

Chegou cedo a casa nesse dia. Mais cedo do que o cedo que seria se chegasse à hora normal de saída do emprego. A ansiedade canalizou-lhe toda a concentração para aquele momento. Não a encontrou no lar. Não só por aquele tecto já não o ser, mas porque ela não estava. Ainda a procurou, por todas as divisões, encontrou-lhe o telemóvel que concluiu esquecido. No instante em que lhe pegou sentiu um aperto dentro do peito. Algo lhe disse num segundo que haveria ali algo que não iria gostar de ver. Resistiu um minuto. Nunca se tinham feito nada parecido. Nunca houvera motivos para desconfiarem um do outro. Mas antes de desbloquear o teclado do aparelho, vislumbrou de relance, tal como tinha feito nessa tarde, o seu comportamento dos últimos meses. Não gostou do que viu na sua mente. Sabia que não ía gostar do que ía ver no celular.

Acedeu às mensagens, onde pôde ler um: " Às 16h e 30m, fofinha. Apanho-te às 16h e 30m. E reclamarei então o beijo que te dou agora. Até logo."

Sentou-se. Na cama onde nunca se deitaram juntos. Desapertou o nó da gravata. O da garganta não conseguiu desfazer. O seu comportamento vinha sendo inqualificável, mas não a traíra. Não com uma relação paralela, não com outra pessoa, outro amor.

Deixou tudo como encontrou. Iria sair sem que se notasse que havia estado em casa. Iria simular um regresso em tudo igual aos dos últimos meses. Em tudo menos no bafo a álcool e no odor do tabaco na roupa. Colocou-se estrategicamente para que, ao vê-la chegar, ela não o visse. Foram horas que pareceram dias. Mas ela chegou. Num carro de um ele que não conhecia. E viu um beijo de que já esquecera o sabor. Ela entrou em casa. Ele entrou em desespero.

Conduziu para longe. Dos bares, principalmente. Queria falar com ela sóbrio, mas com o sangue temperado. Não sabia se ele lhe gelava ou lhe fervia nas veias.

A luz da reserva acendeu. Atestou o depósito e seguiu para casa. Ela estava deitada, já. No quarto que fez só seu. Perante a falta de coragem para a acordar, recorreu à caneta e ao papel. Por vergonha. E deixou o bilhete na mesa da cozinha, bem junto ao ramo de rosas.

"Todo eu sou uma vergonha. Não te mereço, não sou digno de ti. É todo teu o direito ao divórcio. Dar-to-ei sem criar problemas porque vi no teu beijo desta tarde que é o que desejas e o melhor para ti.
Sê feliz, minha querida que não soube amar. Perdoa-me por me teres traído
."



*Pode interpretar-se o título como: “A corda bamba”.

sábado, 26 de Setembro de 2009

More Than Words


Esta beleza foi oferta da Nirvana!


1 - Quem mais gostas de abraçar, no presente:
- Os meus irmãos.
2 - Quem nunca abraçarias:
- Quem nunca me abraçasse.
3 - A quem davas tudo para poder abraçar:
- À Guigui.
4 - A quem davas o teu melhor abraço:
- Só tenho esse, a quem me abraçar.
Só porque um gesto, tal como uma imagem, vale por mil palavras, ofereço este mimo à Carla. Porque às vezes é preciso!
OBRIGADO Nirvana!

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Ouvir... Dá que falar!








Assistia-lhe toda a razão. Sempre, leia-se. E por isso o que lhe chegava aos ouvidos nunca era escutado. Nem dos que lhe eram amigos. Os avisos deles, camuflados, muito menos. Enchia, como tal, os outros com a sua verdade, que assumia única. Não conhecia a humildade, não lhe cabia em todo o saber, apesar de tantas vezes, em tantos anos, os amigos o tentarem chamar a uma outra razão. Mas procurava-os, para que o ouvissem, invadido cegamente por uma auto-suficiência nada pedagógica, que paradoxalmente o empurrava para o convívio, para o contacto com outras pessoas.

- Então diz-nos lá, ó auto-suficiente, onde é que existes sózinho, – Perguntava-lhe o amigo de eleição, interrompendo muitas das suas oratórias – se passas o teu tempo numa busca incessante de ouvidos?
- Ora, falo para quem me quiser ouvir! – Ripostava, alheio de que era ele quem procurava receptor, nos que não buscavam nele emissor.
E chegou o dia em que os ouvidos dos amigos se fecharam, como os seus sempre estiveram, através do silêncio para com ele.
Foram vários os dias em que acompanhado pelos de sempre, se sentiu dolorosamente só. Procurou então o amigo, o de eleição, que lhe disse:
- Nunca nos ouviste as palavras, numa razão que anda a par com a tua, afinal estamos a comportar-nos como querias, sinceramente não sei de que te queixas. Mas vai pensando, ó sábio, agora que estranhas o silêncio que exigias, que talvez a ausência de argumento faça maior prova de razão.

E foi esse o seu primeiro dia, em que com duas orelhas e apenas uma boca, começou a ouvir mais e a falar menos.

sábado, 12 de Setembro de 2009

O Texto Sentido



Retirou os rascunhos do cesto. Temeu que ele os visse e lhe descobrisse a intenção. Concluíra que ainda não era hora, e, assim-como-assim, o original estava já devidamente guardado, para quando se lhe tornasse oportuno.
Os dias, há já muitos dias, que se lhe acabavam de forma precoce. Havia ainda luz, em muitos deles, quando naquele verão, se começou a retirar para o quarto, no que ele sofria ser, não o desenho do início do fim, antes os retoques, os finais, num quadro que há muito se pintava.
O jantar, o dessa noite, preparado em comum, partilhou também silêncio. Mais um silêncio. Afinal o mesmo, o que esse Verão lhes trouxera. Ele encarregou-se da louça, como fazia todas as noites. Haviam acordado assim, uns anos antes, na Primavera do seu amor; - Eu passarei a ferro, tu ficarás com a louça, aceitas? – Questionara-lhe. Ele aceitara prontamente; - Sim, aceito – Tal como num outro dia, num casamento simulado, sem padrinhos nem convidados, também a aceitara.
Adormeceu no sofá nessa noite, em frente à televisão. Já não sentia o quarto seu. Ainda assim, não iria deixar de se deitar ao lado dela. Não, não iria. No percurso para o leito, um copo de água na cozinha, quase lhe afogou a pouca coragem, que ainda tinha, para abrir a porta. Ela dormia. Tão ali, tão longe. - Talvez estivesse onde passava os dias. Com quem passava os dias, imaginou.
Ali deitado, tão próximos, o sono não lhe chegava. Ele precisava de saber o que os afastava. Ela não falava sobre isso. Na última conversa deles, ela dissera-lhe que era uma fase – Todos os casais as têm, certo? – Talvez, mas que interessavam os outros casais?...
Por isso levantou-se. E quis escrever. Ele escrevia. Só para si, escrevia. Versos tristes, ultimamente. E lembrou-se dos tempos em que os escreveu alegres, felizes. Esses versos que lhes foram os dias.
Algo nos seus sentidos, em todos eles, mais no sexto, talvez, lhe disse que a resposta, à crise deles, poderia estar junto daqueles versos; Os alegres, os felizes. Foi então ao escritório para reler essa felicidade, distante, que se encontrava agora fechada, atrofiada numa gaveta. Abriu-a. E tirou folhas, debaixo de folhas que estavam por baixo de folhas. E dentro da noite, já madrugada, deixou-se conduzir pelos escritos. Cada poema a um momento, devorado também, intensamente.
Mas uma das folhas não trouxe a sua letra. Trouxe-lhe um branco, o que isso possa ser, um frio ao corpo que lhe gelou as veias, que as ía congelando, à medida da leitura.
Só quando terminou de ler é que viu uma mancha, na mancha que era aquele texto. A lágrima, que nem se apercebera que caíra, havia borratado aquele texto, texto que acabara de lhe borratar o futuro. O texto chorava.
Pousou a folha. Na varanda esperava-o um cigarro. Depois outro. E ainda um terceiro, durante o qual decidiu que era tempo de fazer as malas.

Voltaria, durante a ausência dela, para recolher os seus pertences. Por ora levaria apenas alguma roupa, a suficiente para uns dias.

Tudo estava já no carro. Do mais importante, faltava apenas ele, lá. Resolveu fazer suas as palavras dela, daquele texto, e depois de assinar, colou a folha no espelho da casa de banho, onde ela o veria, no lugar do reflexo da sua cara. Ou talvez para lhe fazer ver que, afinal, aquelas palavras, iriam ser sempre para ele, de em diante, a cara que lhe veria!


"Talvez seja covardia minha. Se não encontrei outra forma, serei covarde sim. É-me menos difícil assim, e assumi menos difícil também para nós, assim, por escrito. Porque não soluço, assim. Porque não nos vemos as lágrimas, assim. Porque assim não verás as palavras que corrigi, antes de concluir que estas serão as menos erradas, as menos dolorosas. Porque todas as palavras seriam dolorosas, resistiram estas. Porque se falasse, estaria falado e a correcção do que se fala, nunca o é totalmente. Porque se falasse, elas, as palavras, me trairiam, me abandonariam a uma sorte muda.
Não querido, não entrou outra pessoa na minha vida, no meu coração. A minha vida és tu, há tanto, tanto tempo. Há tanto tempo, ou tão intensamente, que me esqueci que tenho uma, que tinha uma. Fizeste-me sair de mim, sem que o notasse, sem que o pedisses ou quisesses. E vivi a tua, tenho vivido a tua numa nossa vida. E foi bom, durante o tempo que não senti saudades minhas. E agora sei que a quero recuperar. No ponto onde deixei de ser só eu. No ponto onde me sentia insegura, antes de ti, antes de amar-te. E o meu amor por ti, ainda que possas não acreditar, aumenta, a cada dia, aumenta. E acovarda-me o receio de um fim, vindo de ti. Falta-me a confiança num "nós" eterno, na nossa mortal eternidade. Por isso parto, meu querido. Porque não posso amar-te mais, para que possa amar-te para sempre! E quero muito, querido, eu quero muito e vou, sim, vou amar-te no meu sempre."

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

O Inte louco tual

Pois se um burro não se pode passar por inteligente, já o contrário será perfeitamente possível!
Então, quantos burros andarão por aí que não o são, por simplesmente se camuflarem?

E certos géneros de loucura? Não poderão estar no mesmo nível?

Não sei se sei de que lado vos "falo". Se do lado do louco, se do outro extremo. Julgo que sempre estive do mesmo lado, por isso, sem termo de comparação, torna-se difícil localizar-me com precisão. Adiante, que não há nada de especial para ler e o tempo escasseia.

Inteligência será, porventura, mais do que ter respostas, ter perguntas! Será a busca a que a pergunta obriga, que mexe com o saber. Não propriamente a resposta em si (correcta ou não). Muitas terão sido as vezes, em que a resposta a uma determinada pergunta, foi considerada correcta, algumas durante séculos, para posteriormente se constatar que afinal… Não era.
Em alguns casos, a constatação de que algo tido como adquirido era falso, ter-se-á dado de uma forma natural. Flagrante, talvez. Por outro lado, terá sido a permanente interrogação em relação à veracidade de outras, que terá ajudado a que se tenha feito luz. Ainda ajudará.
O "só sei que nada sei", terá aparecido algures no meio de muitas perguntas, de muitas buscas de respostas, digo eu!

Sou da mesma opinião dos que consideram que a inteligência pode até prejudicar a própria saúde. Alguns defenderão que ao prejudicar a saúde, já não será inteligência, eu não concordo com esta teoria. Penso que a sensibilidade é característica apenas das pessoas inteligentes e que será precisamente o "elo menos forte" do cérebro. Às vezes quebra e nestes casos poderá deixar fluir a sanidade. É simplesmente uma opinião, vale-o-que-vale, portanto, deve valer alguma coisa (digo eu, outra vez).

- Coitado, "era" um cérebro. Se calhar por isso é que deu em doido!
- Foi do estudo. Era tão inteligente! Passava a vida a estudar, acabou assim.
- Olha, os matemáticos têm todos pancada! (esta então!!!)
- (…)

Umas quantas expressões conhecidas, que associam (alguma) inteligência à loucura, à insanidade. Hipoteticamente, alguns casos em que o elo que refiro terá cedido.

Talvez a loucura seja o clímax da inteligência!

Fico-me por aqui, que tenho consulta de psiquiatria agora.

(E não me lembro se vou consultar ou ser consultado…)

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

A Porta

Isto a que chamamos vida corrige-se, muito além dum destino, dum karma, dum desespero, dum pessimismo extremo qualquer. Acredito simplesmente que há coisas que acontecem e pessoas que se conhecem no tempo e no espaço certos e, muito importante também, fora deles! Fará por isso toda a diferença, estar à hora certa no lugar devido.
Isto a que chamamos vida, está repleto de pessoas belas, boas! Simplesmente porque a pessoa X, que para fulano reúne todos os requisitos de um/a deus/a da felicidade, para mim é uma pessoa, apenas tão "maravilhosa" quanto eu. E a pessoa que passa completamente despercebida, ou que não desperta a mínima atenção, a esse fulano, será para mim, isso mesmo… a que a X lhe é.

Canta um fado de Coimbra que:

Um amor para ser amor
Tem de durar a vida inteira
Quem ama a segunda vez
Não amou bem da primeira

E o Óscar Wilde disse que "a diferença no objecto do amor, não altera a integridade da paixão, só lhe confere mais intensidade."
Por isso, pode muito bem amar-se só uma vez! Pode é demorar a perceber-se quando é que se ama. Pode pensar-se que se ama e afinal não. Contra mim falo, que (muito felizmente) sou leigo na matéria. Ainda assim opino, que se lixe!

O amor não fecha portas. Jamais. O amor abre-as, que é precisamente o oposto! Porque não somos correspondidos, acaba o mundo? – Não! - Assumo eu. Só quem ama (verdadeiramente), saberá o quanto de bom tem para partilhar com o tal objecto do amor! Então, a haver alguém "prejudicado", este será o que, por não corresponder no sentimento, deixa de receber o que quem o ama tem para oferecer. Mas se afinal não corresponde no sentimento, estará a perder alguma coisa? Terá olhos para perceber isso? Poderá alguém sentir a falta de algo ou de alguma pessoa de quem não precisa? Que acalme os que não correspondidos amam, a paz do que sentem. Porque isso é seu! Mais do que isso ser o que sentem, isso é o que são. É como são. E não nos devemos permitir que uma pessoa que não corresponde ao que sentimos, exerça em nós influência suficiente (ainda que sem saber), que nos faça alterar a essência. A nossa essência!
O amor não fecha portas, nós é que devemos fechar. Mas não é ao amor. É sim, à pessoa que não nos ama. Tendemos a confundir…

Então, eu não vou amar de novo. Vou sim, amar do mesmo modo, ou mais profundo, outra pessoa. Porque haveria de ser o meu amor diferente, menos intenso, para esta, se também me amar, do que foi o que senti pela outra, que nunca me amou?

Tenho andado nos lugares certos, dentro de horas… em breve concluirei se mais vezes assim serão, ou se coisas hão-de acontecer fora deles e delas. Uma é certa; a minha porta está aberta. Se duvidas tivesse, o coração confirmou-me. Vou apenas desejar (em tempo algum pedir-lhe) que entre. Vou desejar apenas que deseje entrar. Se lhe parecer bom, entrar.

Porque se lhe parecer bom, entrar, eu tentarei mostrar-lhe o bom que nos será, ela ter passado… A Porta!

O ciúme – Ou o pêssego negligenciado!

Analogia?! Nããããããã…

O ciúme é incrível, digo eu. E incompreensível também, para mim. Sinceramente, gostava muito que alguém me ajudasse a compreendê-lo. Ou não!

Ele existe! Está aqui a palavra; CIÚME – ci-ú-me.

Eu, por exemplo, quando acabo de comer um pêssego, não fico a roer o caroço. O caroço, em último caso, ajuda-me é a perceber que o pêssego acabou.
Coube-me a decisão de escolher um pêssego para comer. Coube-me principalmente, a tarefa de escolher aquele pêssego. Coube-me ainda, a responsabilidade de o conservar comestível. Se por algum motivo negligenciei atenção ao pêssego e ele se deteriorou, ficando para mim incomestível, a culpa é minha.

Contudo, o pêssego não pode escolher outra pessoa para o comer, mas ainda assim, se eventualmente alguém vier que o considere comestível e avançar para o repasto, mais uma vez a culpa terá sido minha. Primeiro porque deixei estragar o pêssego saudável como eu gosto de comer, depois porque, ao fazê-lo, o deixei num estado em que alguém não se incomodará de consumir! Depois, comodamente, covardemente, vou atribuir a culpa ao pêssego por se ter estragado, por não se ter sabido manter em boas condições de conservação, sozinho! Como resultado, irei ter ciúmes pelo facto de ter aparecido alguém que deu atenção ao meu pêssego, vendo-o naquele estado, que aos seus olhos está perfeitamente comestível!

Terei sido um fraco. Assumi que o meu pêssego estaria sempre ali (desculpem o termo), de perna aberta, sempre saudável, fresquinho, infinitamente à espera que eu abrisse os olhos e o comesse. E eu tranquilo… a comer umas uvas por ali, umas fatias de melão acolá. Às vezes quem sabe uma salada de fruta, além! De repente, quando me apercebo que nenhuma dessas frutas chega aos calcanhares do meu pêssego… é tarde. O pêssego pode até nem ser de mais ninguém, ou para mais ninguém, mas para mim, assim meu-meu, depois do trato que lhe dei?!… não será de certeza!

Pode até nem chegar a aparecer alguém para o comer, mas eu vou achar sempre que sim. Pois ao não estar no ponto para mim, estará por certo para outra pessoa… ele não irá impedir que eu o coma.
Mas uma coisa é certa… No estado em que o deixei, vai-lhe ser fácil, muito fácil mostrar-me que não me irá dar prazer nenhum comê-lo!

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Há cinco anos que assim é…

Todo o passado importa pelo presente que já foi. Todo o futuro se releva pelo presente que será. E o que fazemos nós do nosso agora, que no passado já foi futuro idealizado, e no futuro será passado, que não queremos doloroso?

Uma ligação telefónica foi estabelecida. O dever profissional encarregou-se dela. Do outro lado não atendeu o XPTO que se pretendia, atendeu um qualquer senhor José, que eu talvez não queira ser no futuro, e que estou em crer, aguardava que o erro (que também torna os profissionais humanos) conduzisse até si, não uma qualquer, mas aquela ligação telefónica.

A história é curta. A nossa conversa ao telefone não durou três minutos. Mas a imagem é infinita. Obriguei-me a isolar-me no final do telefonema. Precisei de ficar só por um bocado, para ser por breves momentos, aquele senhor José, que definitivamente não quero ser no futuro! Aquele senhor José que tantos outros senhores e senhoras são…

O senhor José nunca ouvira falar no XPTO que eu pretendia. O senhor José esqueceu-me ao pousar o auscultador. Eu jamais esquecerei os dias que vive o senhor José há cinco anos. Foi há cinco anos que ficou viúvo. Ao que parece, no dia em que enviuvou, os seus filhos terão ficado também órfãos de pai.

Eu tentei confortá-lo. Usando palavras que lhe pusessem algum sentido nos dias. Tenho de acreditar, neste momento, a cada "este momento" que me lembrar deste telefonema, que lhe levei algum Sol.

As palavras que usei, não importam. Qualquer um lhes faria o uso. Desejo profunda, sinceramente, é que nunca cheguemos a usar, as palavras que ele usou… É com essas que vos deixo.

(Quero apenas alertar-vos que o telefonema aconteceu por volta das 20h).

(Palavras do senhor José):
- Quem?! XPTO?! Nunca ouvi falar! Não meu senhor, aqui estou só eu. Venho cá a casa só para dormir. Os meus filhos puseram-me num lar, num “Centro de Dia”. Já há tempos que não ouço deles. Ando para aqui sozinho. Passo por lá o dia e venho a casa dormir. Fiquei viúvo há cinco anos e há cinco anos que assim é…

Desafio 1 - (Para mim deve ser)

Bem, recebi este prémio oferecido pela mimanora!


















Vamos lá ver se entendi as regras...

A 1ª seria mencionar quem ofereceu... Feito! Obrigado, Mimanora!

A 2ª oferecer a oito (8) pessoas... Vamos lá então:

(Este "mimo" foi também oferecido à Nirvana. E eu não lho irei oferecer apenas por isso, porque seria repetido. Se alguém me merece um prémio, é ela. Pela pessoa que é! Pelo que escreve. E afinal... Foi a primeira pessoa a acompanhar o meu cantinho. Um beijinho especial para ti, Nirvana!)

Ao CybeRider, ainda não encontrei escrita igual na Blogosfera! Esclarecida. Mensagens que nos faz chegar com mestria ímpar. Um abraço, Cybe!

Ao E..., escuso-me a grandes comentários! Este amigo saberá porque lhe ofereço o mimo.

À Pepita Chocolate, porque me leio muito nas suas palavras, principalmente nas Cartas que "nos" escreve! Um beijinho, Pepita.

À Mag, pelas estórias que nos conta, que podiam e podem ser histórias do dia-a-dia de todos nós! Um beijinho, Mag.

À Soraia, a quem espreito desde que me iniciei nestas andanças! Beijinho, Soraia.

Ao Mário Rodrigues, pela sabedoria que tanto gosto tem em partilhar connosco. Um abraço, Mário.

À SAYURI, porque escreve o coração. Ela escreve o coração! E musica-o de forma única!

À Peregrina. Penso que ainda não me conhece o cantinho mas eu conheço bem o dela. Ela e o seu "espacinho", bem merecem este "mimo".

E creio que a 3ª e última regra será avisar quem foi premiado. Vou tratar disso. Já volto!


(Haverá oportunidade para premiar todos os outros que acompanho).

sábado, 8 de Agosto de 2009

Passeio & Companhia

Era dia de folga. O tão aguardado Day Off. Decidi reclamar a minha parte, dos raios daquele que dizem nascer para todos. Então, escolhi estar sozinho, fisicamente falando, claro. Enquanto colocava alguma mentira na cor da pele, dei por mim a pensar. (Penso que era pensar! Às vezes penso que ainda penso, e às tantas já não). Dei por mim, então, a pensar que pensava num sítio onde pudesse encontrar Pequenas Grandes Sensações. E encontrei! Tudo ali, bem perto de mim.

Fui até ao Recanto dos Suricates. Um local onde sabia encontrar
As Palavras... Serviram-me A cup of thoughts. Degustei calma e demoradamente. Que prazer enorme!
Mais tarde, espreitei a vitrina. Entre o que ela me oferecia, resolvi experimentar o Queque de chocolate. Sem comentários… Dizem que a vida se deve viver assim, Um dia de cada vez, e é o que faço. Agora mais do que nunca.

Olhei a rua. Pude ver a CASA DE ALTERNE. Aconselho a visita. Um espaço aberto a tudo. Ao lado, tinham erguido O Palanque dos Indignados. Podia ouvir-se o Cabra de Serviço, lá de cima, completamente À Nora, tentando chamar a atenção dos transeuntes. Dizia ele, do alto, que a coisa está negra no país. Alertava-nos para, nas próximas legislativas, termos cuidado antes de votarmos. Que talvez nos seja pior se colocarmos o partido Laranja no Preto que está Portugal.

O tempo foi passando e eu não dei por ele. Quando olhei o relógio, eram 20h 30m. Eu tinha de estar às nove no meu blogue e saí. Prometendo voltar, mas não deixando de sentir,
Um Contentamento Descontente
.

No final do meu dia, reparei que me tinha saído este texto. Eu sei… Fraca, a escrita. Mas se em tudo na vida, por que não posso também na escrita, dar uma no Cravo, e Outra na ferradura?...
E assim vos deixo os Pedaços de um Caminho, que percorri na minha folga. Sentimentos Em Rima, que não sei escrever... De outra forma!

As próprias palavras, já me sugeriram que mais vezes me "calasse".

Perdoem-me, i blog you please!


Este texto apresenta-se, porque irá haver muitos “hoje”, que já não trarão um “amanhã”. Então publiquei. Antes que o tempo me roube a vida, e para que possas saber que, ao roubar-ma, não levará estas, que são, afinal, Cartas para ti.

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

It´s only words, and words are all i have to...

Não se me acabaram as palavras. Afinal, aqui estão elas. Mas que palavras são estas, que me pergunto que palavras são?

- Que palavras somos nós, que te perguntas que palavras somos?!! Estás bem?
Tu é que pediste…

Somos-te, Gemini! Não te confundas na procura... É em nós que estás, é em nós que és. Sozinho ou não. És quem és através de nós, ponto!

O que são sem nós as tuas acções? Ou todas as tuas acções, não serão afinal… Nós?
Antecipamos-te o movimento, a atitude. A postura. Mais do que à acção, conduzimos-te à opção, quando nos calas, bem dentro de ti, onde quase sempre nos ouves melhor.

É em nós que é possível dares-te a conhecer. Aos Mundos. Como se o quisessem. Mas a culpa nem é tua. Ao condenarem-te à vida, a esta tua vida, todas aquelas circunstâncias, condenaram algumas pessoas, felizmente poucas, a interagir contigo. Tal como és, que nunca és outro, apenas ocultas parte de ti quando não te podes revelar no todo. E sim Gemini, por que tu és fraco, és quase humano mas mais fraco, e portanto melhor, gostas das pessoas e acreditas nelas. Mas como só gostas e acreditas nas que são pessoas, poupas-te a desilusões. Poupares-te a desilusões… Fraco. És um fraco.

É por nós que agradeces às pessoas, a possibilidade de as amares. Nós estamos em tudo o que possas fazer para o demonstrar. É por nós que tantas vezes elas, essas pessoas, estão contigo no prazer e dor. E é por nós, palavras, que agradeces outras, palavras, que te são oferecidas.

Atenta no modo como te colocas, para contigo, por ser o mesmo modo em que nos colocas. Preocupa-te no para contigo que todos e tudo estarão salvaguardados.

Quantas vezes já te fomos, seremos ainda, as lágrimas e o sorriso?


Gemini, Gemini… Que calasses, às vezes, mais vezes. Estarias ainda assim a dizer tanta asneira!

E só nós sabemos quanta te falta ainda calar e dizer.

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Nasceu flor. Baptizaram-na Margarida.

Ela é(ra) vida. Ela é(ra) sorriso. Porque o seu bem era o bem dos outros, apenas lhe morreu o corpo.

Margarida, um coração do tamanho do mundo. Um peito puro, belo, onde todos os que queriam podiam morar. Margarida abrigava tudo no seu peito, principalmente a sua dor, para que não lhe fosse maior, se visse sofrer com ela, os amigos que tanto, tanto amava.

Um dia abrigou um ser no seu peito. Um ser mau demais para o peito puro da Margarida. E esse ser viu-lhe a pureza e qui-la, à Margarida, só para ele. E a Margarida, de bondade, deu-lhe parte, não sem dor, sem muita dor, do seu peito. Deu-lhe um seio. Mas o ser queria mais da Margarida. Queria-a toda e, já senhor de um seu seio, deixou-se no seu seio ficar. Ciumento, foi-lhe fazendo mal ao corpo, por dentro, até que ela fosse só sua. Margarida, para que nós não sofrêssemos a dor dela, deu-se, de corpo, a esse ser.

No dia 01 de Agosto de 2009, o corpo da Margarida morreu e nunca me morrera o corpo de alguém tão querido.

- Pediste-nos para não chorarmos, Guigui, se não o (con)vencesses, mas eu choro. Choro muito, minha querida, porque não consigo conter este egoísmo, de pensar no mal que me fará a distância do teu sorriso, a saudade já tão grande da tua voz. E, minha linda, porque fraco tenho de chorar, construo com as minhas lágrimas, os degraus da escada onde já te vejo subir. A escada que te vai levar onde irás esperar mim. Resta-me a esperança, pelo teu exemplo, de na desgraça, se vier, ter no fim ainda forças, suficientes o bastante para chegar à morte. Que morra, que não me fique a morrer!
Ficarei mais pobre, Guigui, ficarei o miserável que a ausência da tua companhia física fará de mim. Não muito porém, pelo todo suficiente que partilhámos. Pelo todo infinito bem que estarei sempre a receber de ti, que te escolhi para irmã.

Ó minha flor, vais estar comigo como sempre estiveste. Prometo que vou continuar a conversar contigo, e a tentar vencer com um sorriso, as saudades do teu sorriso. Até breve minha querida, minha amiga doce, minha confidente que me levas os segredos. Amo-te, Guigui, para todo o (meu) sempre.


Ó minha flor que nasceste Margarida
Que encerras em ti todo um jardim
Tu que tens vida para além da vida
Eterna serás, ó querida, dentro de mim.


A minha querida amiga Margarida, venceu muitas batalhas. Não as suficientes para ganhar a guerra, na sua luta contra o cancro da mama.

30/09/1968 – 01/08/2009

sábado, 1 de Agosto de 2009

Pseudónimo, para o bem e para o mal.





A quanto e a quê se pode prestar um cidadão anónimo, que um mediático não pode?


Nem sequer vou referir os mediáticos que o são por opção, ou daqueles cuja profissão, nos tempos que correm (!), os "obriga" à exposição pública. Não, não vou referir-me a esses. Vou focar o mediático normal, que, anormalmente, será mediático normal, por tudo menos por opção! São aqueles que são tornados mediáticos. Que paz viverão privadamente? Sinceramente, muito mesmo, não lha invejo.

Uma invenção para a ciência. Um donativo gigante para uma causa. Um conjunto de (excelentes) pensamentos publicados. Uma doença caso único, raro ou primeiro. Lembrem-se do que quiserem que possa dar cabo da paz na vida de alguém, apenas porque esse alguém (na sua limitação ou genialidade), estava a ser… Ele (a) próprio (a)!
Faz-me confusão o mediatismo involuntário. A tamanha perda de privacidade que lhe vem automaticamente agarrada. O não poder ir a lado nenhum, sem que mil olhem para medir se a roupa está penteada ou o cabelo engelhado. A avaliação da graxa nos dentes ou a carie dos sapatos. Como pega na chávena para tomar o café. Enfim.
Quando o mediatismo acontece fora do tempo do mediatizado, menos-mal. É que na hipótese de nos enviarem, depois de mortos, para um sítio perto de onde estávamos antes de nascer (e não estou a falar na roda das encarnações), o mediatizado estará em paz. Eu pelo menos não me lembro onde estava, antes de me ser! E certamente que ele não recordará também, dai o menos-mal. Agora, enquanto é durante o período em que olhos que a terra há-de comer, ainda vêem… Adeus vida descansada, olá ó vida malvada! (como diz o artista).

Pseudónimo, mais do que tu comigo, estarei eu sempre contigo, nesse mundo (orgulhosamente) tão só nosso, onde de facto deixas de ser falso e eu passo a ser verdadeiro!

terça-feira, 28 de Julho de 2009

Schhhh… Cala um pouco mais baixo!

Já muito se registou sobre silêncio. Também já o fiz. Sou testemunha das maravilhas que encerra, porque o escolho muitas vezes para companhia.

Mas há outros. Há outros silêncios… há silêncios que são verdadeiras torturas. Aqueles que não são escolha. Que nos são oferecidos sem que lhe saibamos o porquê. Que nos magoam mais, incomensuravelmente mais do que aqueles que, descarada e insensivelmente, nos confrontam com as respostas que nunca queríamos que chegassem. Mas estes, pelo menos, trazem respostas. E se a dor que algumas dessas respostas trazem é inevitável, já o sofrimento se transforma em algo opcional.

Não considero o silêncio, nenhum género de silêncio, a arma dos fracos. Acomodamo-nos a tantas situações por ser tão mais fácil permanecer, no que se conhece, em função de rumar a um desconhecido, que à partida já tem rótulo de dor. Acredito que muitas vozes se calam, em sofrimento, para que as suas palavras não magoem. Assim sofre só um, o que cala. Errado. Sofrem as mesmas pessoas envolvidas. Muda apenas o modo. E este silêncio, o não escolhido, muitas vezes não nos permite ouvir o que o outro, o escolhido, tem para nos dizer. Pode assistir-nos toda a razão para optar pelo silêncio – inquestionável. Porém, deveríamos remeter-nos a ele somente após apresentarmos os nossos motivos. Ainda que não os queiramos discutir. Apresentá-los, simplesmente.
Já o disse aqui, e não só, que sou um respeitador nato. Como tal, serei capaz de respeitar todo o silêncio que me queiram dirigir. Mesmo que injusto. Já lá vai o tempo em que me preocupava em me justificar e tentar apresentar os meus motivos, sem que mos quisessem ouvir, quando me deparava com alguma atitude injusta para comigo. Agora não. Quem gostar de mim, o mínimo que seja, há-de confrontar-me antes de me julgar e de me condenar seja ao que for. Nem que seja ao jejum das suas palavras.

É incomparavelmente mais doloroso um silêncio não justificado, do que mil palavras ofensivas e injustas!

Se este silêncio se deve ao facto de eu te ter magoado, ainda que sem consciência disso, apresento aqui as minhas desculpas, onde me podes ler por opção. Onde não tenho de invadir o teu mundo.
Antes de virar esta página, quero que recordes que se a vingança nos torna iguais, o perdão faz de nós superiores.
Se é que tenho algum poder no campo do perdão, que se dane a superioridade... O teu silêncio está perdoado.

sábado, 18 de Julho de 2009

My end is my beginning!

Reinventar-me.
É preciso, sim. Someday, somehow…

Mas não foi isso que me trouxe aqui…

O que me trouxe aqui foi alguém que tenho o prazer enorme de (não) conhecer. Alguém que eu leio e imagino a voz. Alguém que (não) conheci aqui, na Blogosfera. (o B, assim maiúsculo, é para lhe sublinhar a grandeza). Alguém a quem, da minha casa, espreito a janela da sua, só para ver se tem luz. Alguém que, quando a luz está ligada, precipito a visita e não me conhece. Uma casa onde entro sem campainhas. Uma casa de portas abertas. Uma casa onde, nas suas palavras, também me leio.

E agora o meu bairro vai ficar mais pobre… A administradora da casa pensa (ou já decidiu?!) partir. Ainda não sei se a casa fica em pé, ou se vai ser demolida…

Aos meus vizinhos, os de "carne e osso", conheço-lhes a face! Conheço-lhes as vestes. As vozes, os carros. Talvez tudo o que menos interesse conhecer. Não conheço a essência. Não os conheço, de todo, tão bem como, não conhecendo, conheço este vizinho virtual! E por isso lhe peço que, "ouvindo", não "dê ouvidos" ao que não tenho o direito de lhe pedir…

"Please, Don’t Go!"
"Against All Odds!"
"There Will Never Be Another You!"
"I Still Haven’t Found What I’m Looking For!"
"A Gente Vai Continuar!"
"Hoje É O Primeiro Dia Do Resto Da Tua Vida!"

"Please, Forgive Me!" mas…

Nunca pensei que doesse tanto ver partir quem (não) conheço.

- Mas sim, vai! Reinventa-te. Faz do teu fim o teu início. Ficarei triste pelo adeus, feliz por ti! E se fores mesmo quero que saibas, ainda que não te importes e que a minha casa nada te diga, que guardarei para sempre em mim, um conjunto de…

Pequenas Grandes Sensações

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Brindavam o aniversário dela.







Ele chamou-a pelo ombro.

Pela reacção, ele percebeu que ela sabia aquele momento inevitável. Pela reacção, ele percebeu tudo. Mas para ele, o “sim”, morreria depois da esperança. Então, até se oficializar o “não”, que está sempre garantido à partida, ele via, ainda, tudo verde…

Ela consentiu. E, como só elas sabem fazer, virou-se para ele. Já haviam conversado. Ele havia já falado com ela. Há muito que ela era mais do que o último pensamento do dia… ela era já a insónia. Ela, com palavras, pedira-lhe para adiar outras palavras, dela, para um futuro próximo. Ele concretizou naquele presente, o futuro que ela lhe pedira. Naquele momento, eterno, para ele, não usaram palavras. Ele sorriu-lhe um ponto de interrogação… ela chorou-lhe um não.
Abraçaram-se. Ele a ela, depois de ela a ele. E, ao ouvido as palavras, enquanto eles se sentiam.

Ela:
- És uma pessoa muito especial! Fazes-me sentir especial também, por ter alguém como tu a ver-me, a sentir-me dessa maneira. Não estou a passar uma boa fase. Não iria estar num “nós” de corpo e alma. Ir-te-ia magoar. Ultima coisa que quero.

(Ele, com beijos, saboreou-lhe o sal das lágrimas)

Ele:
(Olhos fechados. A senti-la intensamente nos braços, naquela que ele sabia ser durante muito, muito tempo, a ultima vez que a viveria assim, chorou-lhe)

- Amo-te, S.! Não adianta tentar dizer-te o quanto. Amo-te apenas o quanto consigas imaginar que te amo. Quero que te lembres, que nunca te esqueças, que vou guardar este amor dentro de mim. Que nada vou fazer para o esquecer. Que vou esperar, vou saber esperar que esse pouco que tens dentro de ti cresça ou morra. E vais saber, no momento em que eu for o teu pensamento, que te estou a amar. Quando isso te fizer percorrer pelo corpo um arrepio, saberás que é um beijo meu a chegar. Haja o que houver, S., ainda que no futuro não volte a haver um “nós”, lembra-te que nunca serás inteiramente de mais ninguém, porque parte de ti é, e será minha para sempre! Este coração que está no meu peito é teu. E eu, doce… Estarei sempre à distância que tu me quiseres.
Ela não viu as lágrimas dele.

sábado, 4 de Julho de 2009

Ensurdecedoramente! (Parte II)

Por que a presença entre duas ou mais pessoas, mas principalmente entre duas, nem sempre deveria ser preenchida com palavras vazias, assumamos o silêncio, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que o silêncio pode encerrar dos maiores conteúdos, assumamo-lo, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que o silêncio interrompe as palavras, para que o momento seja (ainda) mais especial, assumamo-lo, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que, se o meu silêncio nada te diz… de nada te servirão as minhas palavras.
O silêncio… Talvez se possa escrever, também…

Ensurdecedoramente! (Parte I)

Por que a presença entre duas ou mais pessoas, mas principalmente entre duas, nem sempre deveria ser preenchida com palavras vazias, assumamos o silêncio, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que o silêncio pode encerrar dos maiores conteúdos, assumamo-lo, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que o silêncio interrompe as palavras, para que o momento seja (ainda) mais especial, assumamo-lo, sem tabus, sem receios de "vazios"!

Por que, se o meu silêncio nada te diz de nada te servirão as minhas palavras.

O silêncio Talvez se possa escrever, também

quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Mãos ao ar, isto é um seguro!!!

Uma colisão entre dois veículos. Triângulos e coletes. Sangue quente (nas veias, calma! Não há feridos.) e, à portuguesa, argumentos da razão "muito altos". Ninguém tem culpa. Ou têm os dois. Ou só um. Chama-se a policia, por que a culpa é do outro… registo de ocorrência e… seguradoras resolvam, que é para isso que nos "chulam"!


Há dias presenciei uma situação engraçada, que me levou a imaginar um cenário… às tantas nada impossível, num qualquer futuro!

Do estabelecimento onde me encontrava a tomar um café, reparei que uma moça subia a rua, enquanto outra a descia, no mesmo lado da estrada. Tudo normal. Mais atento, observei que ambas seguiam concentradíssimas no respectivo 'celular', numa eventual conversa escrita. Já eu adivinhava o embate, quando elas, num susto partilhado, travaram a tempo de evitar o choque frontal. Fintaram-se mutuamente, num sorriso, e depois do "drible", cada uma seguiu o seu.

O que imaginei eu?...
Uma possível sequência da colisão entre elas.

Imaginem que se tinha dado o embate… que os telemóveis caíam e se danificavam… ou apenas um deles. Talvez se dispensassem os triângulos e os coletes, mas quem assumiria a responsabilidade, se o de uma não se estragasse, e o da outra sim? Chamar-se-ia a policia, para apurar qual a transgressora? Para se saber qual seguia o seu caminho fora de mão? Seriam ambas multadas por irem ao telemóvel, enquanto circulavam na via pública?

Já há muito tempo que existem algumas regras para a circulação dos peões. Semáforos, passadeiras, passagens superiores e subterrâneas, enfim, todo um não sei quê moderador do trânsito pedonal. Vamos, estou convicto, chegar a um ponto, em que por certo alguns de nós já cá não estarão, onde a regularização da circulação dos transeuntes será total. Regras que irão condicionar absolutamente, o modo como nos deslocamos a pé. Um paralelo ao Código da Estrada, versão; Código do Passeio.

Será mais um paraíso para a acção das companhias de seguros! Que após (se acontecesse) lerem este texto, iriam começar a trabalhar um modo para fugir às responsabilidades dos seus segurados. E logo que esse processo de fuga estivesse elaborado, era vê-las a avançar com esta ideia junto das autoridades, junto do Estado… pensando que não, seria só mais uma forma de lucro fácil.

É que já há tantos campos onde a lei permite roubar…

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Diz-me que me amas…


O R. é dos que vivem. Sim, por que é sabido, ainda que toda a gente morra, nem toda a gente vive! E ele vive. De forma intensa. Daquela forma que, cada um com as suas regras, deveria ser a única forma de viver.




O R. trabalha. Não vive de dinheiros de família, dinheiro dos pais, que o têm abastadamente. É um profissional exemplar. Tudo dito quanto a isto. Quase. Acrescentar, apenas, que complementa esse seu profissionalismo, proporcionando um excelente ambiente de trabalho. Podia, simplesmente, não o fazer. Retira portanto, o máximo partido do seu emprego. Ora, com esta postura, é fácil compreender que, os seus momentos de lazer são vividos… como dizer… como se não houvesse amanhã!

Já me confessou várias experiências pouco relevantes, sem interesse para partilhar.
Esta parece(u)-me merecedora de registo…


Aparentemente, era uma véspera de folga normal. Fim de tarde – encontro no café de sempre. Chega um, chega outro, chega a cerveja. E não se pára de beber, porque cerveja… nunca chega… ocasiona-se o jantar e lá vão eles. Entre garfos e que tais, conversa-se. Fala-se de tudo. Tudo num jantar de homens, pode muito bem ser, carros, futebol e… mulheres. E rega-se a palavra, com um tinto, que a comida, essa, é adereço.

Alguns bares, e o seu triplo (numero simpático…) em whiskies. Antes que se faça tarde, ainda uma discoteca, perfeitamente dispensável. E é aqui, no fim, no que se previa ser o final desta noite, que ‘começa’ a história do R.

Miúdas lindas e, como nestas noites, o álcool comanda a vida, “vamos meter conversa”.
A abordagem do R. parece não ter tido recepção fácil. Mas ele não desiste… é demasiado optimista, boa onda, e com a sua atitude, resultados magnéticos. A conversa corre, bebe-se um sorriso, e o tempo voa. Surge, naturalmente, (no contexto) a pergunta: - vamos no meu ou no teu?... – Foram cada um no seu. Ele no de trás, porque era para casa dela. O ambiente estava criado e oficializou-se, com um primeiro beijo, à porta do apartamento.

Detalhes do entretanto, sei apenas quê se preveniram. Não para tudo, no entanto… não se preveniram para um depois, constrangedor. Os ‘copos’ desculpam muitas coisas, mas não justificam tudo o que se faz e… o que se diz.

Na parte final do entretanto, pouco antes do depois, algures neles, confundiam-se murmúrios. Ela, do nada, ou do tudo que era o momento, pede-lhe baixinho ao ouvido:
- Diz-me que me amas…

Um qualquer actor, tê-lo-ia feito, o R. não. Não, não é actor, não, não lho disse. E viu, inclusive, a sua masculinidade ir embora… O depois, chegou… antes do tempo. O silêncio é isso mesmo… silêncio. Apesar de por vezes dizer muitas coisas, di-las sempre sem conversa. Então eles conversaram o silêncio. Numa desculpa que nunca o foi, o R., qual descoberta muito conveniente da pólvora, (que ainda hoje lhe magoa o como) percebeu ser ‘tardíssimo’! E qual jamaicano aos 100m, vestiu-se, despediu-se com um... "a gente vê-se", e saiu.

O R. desaparece aqui. Agora entro eu. Eu que constato:

O R. foi muito simpático com ela. Ela foi muito simpática com o R.

Mas desde início, desde a recepção difícil, que ela lhe fez na discoteca, nunca estiveram a viver o mesmo.

Ele perguntou-lhe em que carro... ela ‘deu-lhe’ a casa…

Ela pediu-lhe para ele lhe dizer uma frase... ele confirmou-lhe que nunca mais se veriam…

Ele procurou sexo, através do amor, espelhado no modo do seu contacto.

Ela procurou amor, através do sexo, espelhado no modo do seu contacto.

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Cantar, silenciosamente. (leitura não aconselhada.... é um pensamento em... "escrita alta")

Caminho muito. Muito é muito, mesmo! Reforcei para anular a dúvida (e também para imaginar-vos a visualizar um qualquer calçado que possa usar, a tocar o chão, num - esquerda-direita-esquerda-direita-esquerda-direita, incessante)
Vazo a energia ao Ministério Publico (brincadeira) ao MP3, diariamente. Foi uma forma que elegi, para conseguir estar sozinho na multidão. Haverá outras.
O facto, honestamente, aqui que ninguém nos lê, é que passo muito mal sem musica. Graças a este aparelho, posso satisfazer-me sem incomodar. (tenho constatado ultimamente, que é moda entre os menos velhos, reproduzir musica publicamente a partir do telemóvel, alto e a bom som, oferecendo-nos assim, algo para podermos, interiormente, criticar.)

Gosto muito de cantar. (correcção) gostaria muito de cantar. Seria necessário saber. É isto que me trás aqui. Sozinho tento e, ao tentar, realizo já um gozo enorme, fico-me a imaginar, que prazer recolheria se o soubesse fazer.
Se quem o sabe fazer, incomoda, por vezes, qual será o dano causado por quem, sem saber, tenta?! Pois…

- Ó ciência, ó tecnologia, ó futuro. Ó algo ou alguém… tragam-me, por obséquio, o tal aparelho!

Imaginem um aparelho que se pudesse usar, desta maneira assim-assim, e que nos (nos, a nós, principalmente aos que sem saber, tentamos cantar) permitisse a performance, em tudo igual, mas sem incomodar… vivalma!

Cantar, silenciosamente. A sigla que me ocorre é, deveras…

(No
Voice
Player

Que dizem, hum?)

… Deveras bela, bem sei, como a imagem duns quaisquer pés, no tal incessante – esquerda-direita-esquerda-direita-esquerda-direita…
Esta beleza é irrelevante. O importante mesmo seria, do equipamento, o (usu)fruto.

Isto é o resultado de ter um pouco de tempo disponível… lá está, com este exemplo, provo-vos que; pensar pode prejudicar a saúde! Nada disso!!!

“Sempre que um Homem sonha, o Mundo pula e avança”
(in Pedra Filosofal – António Gedeão)

sábado, 20 de Junho de 2009

O Elogio, segundo S. Inocente!




= Se Tens Olhos Pára!




Reformulemos, pois não será… Elogio Da Loucura, mas sim… Loucura Do Elogio …

Plágio, qual homenagem! …

Recorri, sem opção, pois foi a única que me veio em auxílio do espanto, a uma expressão deveras conhecida, e muito recorrente no sábio que é o povo. Então exclamei, do tico para o teco (não posso precisar se não terá sido antes do teco para o tico. Confundo-os com frequência, pois, são muito parecidos, ambos ricos em pobreza.):
Ele há coisas levadas dum raio!!!”
Numa das minhas recentes incursões, pelo maravilhoso mundo bloguista, deparei-me a ler os comentários a uma entrada, que determinada usuária (julgo-a no feminino!?) inseriu no seu jardim. Sem transcrever, apraz-me registar que um dos comentadores criticava, não o post, mas a autora, do mesmo. Pois de facto, ela não o era, de todo. Tratava-se então de plágio … permiti-me, sem custo, compreender-lhe a indignação. Tudo estaria bem, se esta Rosa colocasse no final do dito, um simples…”plagiado algures por aí”, digo eu. O que é facto, é que este detalhe define a diferença entre roubo e elogio!
Não me irei alongar, mas consta no seio dos seres inteligentes, que a imitação é dos maiores registos de elogio. Ninguém transcreveria fosse o que fosse, sem que não reconhecesse, beleza, profundidade, toda uma maré de adjectivos qualitativos, na matéria lida. A referida Rosa, ter-se-á arranhado num espinho isento de malícia. Não só aceitou e publicou o comentário onde se constatava o plágio, como apresentou as suas desculpas.

Eu, perdoaria esta flor, de imediato, com um conselho apenas; - refere, quando registares algo que não é de tua autoria. Defender-te ás, assim, da acusação de plágio, em função do agradecimento, de que serás alvo, pelo teu elogioso destaque.

Plagiem-me, companheiros da palavra. Elevem-me, referindo, usando as letras que vou juntando, mesmo sem que me associem o nome a elas.
Imortalizem-nas, para que eu, abstruso, possa nelas ser, também, imortal.

A mim, ninguém me cala!








- Desculpa lá o plágio, ó Manuel Alegre…

Sou muito renitente, nisto do opinar. Há textos, em que o comentário que eventualmente se pudesse julgar impor, estará já implícito, incluído no seu conteúdo. Tal a sua qualidade! Por este facto, escuso-me a comentar boa parte do que leio na blogosfera. (se me permitem um aparte, e sem desfazer - CybeRider, perdoa-me referir-te mas serás, por isto, o culpado *, de não me leres mais nos teus escritos…) – Porém, adivinhar que o autor dum post, possa concretizar num comentário meu, uma interpretação que não a que pretendo fazer chegar, não me inibe de registar a minha opinião. Leio, e se o objecto da minha leitura me desperta o desejo de comentar, releio, (tanto quanto o meu juízo me exigir) para me garantir, tanto quanto possível, que a mensagem que me é pretendida fazer chegar, ficará o mais próximo possível, da que efectivamente retirarei. Então…comento. Se eu comentasse vindo do nada, sem onde me pudessem ir beber (o quanto me está já a doer o que vou registar a seguir ao fecho do parêntese…) ‘autoridade’ para comentar, (digo ausência de referências) o desgabo ao meu comentário, estaria previamente realizado por mim, com a absêntia do meu ‘recado’. Só que, o meu (candidato a) blog, é uma ‘casa de portas abertas’, para não ofender o… ‘ é um livro aberto’, (qual livro que jamais ousaria desonrar, escrevendo-o, com a forma menesterosa com que faço uso das palavras.

Obrigado, humildemente obrigado, CybeRider, por me teres dado a chave, com que pude abrir a minha própria porta! De facto, nunca censurei nenhum comentário, nem tencionava fazê-lo, mas como sou um recém-chegado a estas andanças, não tinha, ainda, sabido ler, que há aplicações que são literalmente minis. (leia-se mini-aplicações, interprete-se o intencionado).

Já fui censurado na blogosfera, no entanto, tudo o que, modestamente, desejava, foi alcançado! O destinatário da minha intenção, teve acesso ao meu registo, para poder (como o direito a tal o assiste) não publicá-lo. (um comentário que ninguém saberá o quão ofensivo não era e que, a sê-lo, se publicado, poderia ser criticado pelo autor do post, e provavelmente humilhante para mim, enquanto autor do comentário). O meu propósito concretizou-se, portanto, posso sugerir o arquivamento das minhas palavras, para que possam ser usadas, ainda que de forma separada, num qualquer outro post, igualmente censurável. (a palavra, é de todos e de ninguém. É, acima de tudo, um bem imensamente precioso, para que se condene ao desprezo).

A reciclagem, começa na palavra por si só… pois é a palavra que leva a mensagem do quão importante é reciclar!

- Censurador, recicla! E permite-me, em teu auxílio, moldar o slogan do vidrão;

“No lixo, não… no palavrão…”


* Este asterisco, alivia-vos, não só, do penar que poderá ser ler-me, mas conduz-vos a um paraíso onde as palavras sorriem… leiam e, desmedidamente… gozem!

(observo uma imagem por demais idílica… cerramos os olhos, na maioria das vezes, durante o desfrutar do máximo gozo, de grande parte das situações que nos dão prazer… torna, sem duvida, o momento mais intenso. Imaginem fazermo-lo na leitura… um cego fá-lo, contudo, esse será o modo com que igualmente lerá quase tudo o resto, limitando-lhe assim, o prazer de ler... às escuras.)

terça-feira, 16 de Junho de 2009

O Director de Operações… de limpeza! – A importância da formação.



Sou um respeitador nato. Respeito, em primeiro lugar, todos e depois tudo. No que toca ao campo profissional, considero que nada se compara ao facto de fazermos o que gostamos, em detrimento de gostarmos do que fazemos. Lugar comum, eu sei, mas decidi importante sublinhar.
Há uns tempos trabalhei numa empresa de um grande grupo nacional. O grupo Sonae. Nestas empresas, a prática de rotatividade dos quadros é bastante recorrente. Nada contra. Nada contra até aparecerem os incompetentes. (que os há em todo o lado, infelizmente). E com o respeito, lá estou eu a respeitar, que o cargo de Director me merece, (apesar dos exemplos recentes, fabulosos exemplos por sinal, ao nível da gestão e da direcção, noticiados em tudo quanto é orgão de comunicação social) alguns destes Directores são verdadeiros… verdadeiros… (permitam-me não classificá-los, tadinhos) bom, continuando, alguns deles só têm uma missão e, ainda assim, não a conseguem exercer com competência. Nesta empresa onde trabalhei, desempenhei funções como responsável de uma determinada área. Para além de tudo o que estava relacionado com a logística daquela secção, departamento, o que se lhe quiser chamar, equipa incluída, eu integrava ainda a escala de pessoas que, diariamente, estavam responsáveis por toda a loja.
Certo dia, qual pára-quedista, caiu-nos na Delegação Centro, vindo de uma empresa concorrente, um tal de… Dr. P. A.
(este menino veio como Director de Operações {que era o que ele precisava ao cérebro, uma operação}). Para poder praticar a sua politica de padrinhos, precisou de arranjar vagas para os seus afilhados. Então, em dois meses, mais coisa menos coisa, conseguiu concluir que uma gerente de loja com 14 (catorze) anos de casa, era incompetente. Pressionou-a a chegar a acordo e despediu-a. Assim como a mais meia dúzia de pessoas, onde tenho o orgulho de ter estado incluído (assinalar apenas que fui eu que tomei a decisão e apresentei a minha demissão). Eu amava o que fazia, bem como a toda a equipa com quem trabalhava. Tinha igualmente orgulho em vestir e defender aquela camisola, e nem vale a pena citar situações que facilmente dariam conta de toda a minha dedicação. O que importa realçar é que este senhor, sem querer ofender o título, tem como função… limpar… limpar quadros da empresa. Só que até para a limpeza, convém ter formação. Este senhor’ não a tem. Vou-me excluir do lote dos dispensados, para fugir ao auto-rotulo de competente dispensado ou simplesmente competente. Eu sei qual o grau de competência das pessoas dispensadas. Desconheço, no entanto, o nível de competência dos afilhados contratados! Uma coisa é certa, um desses afilhados era mesmo sobrinho deste… deste… adiante, e não foi preciso um ano, para que o seu sobrinho lindo fosse papá com uma moça lá da loja (aqui não posso questionar a competência do menino… menino este que veio de arrastão da empresa onde o seu tio trabalhava anteriormente, AH pois é…). Entretanto foram colocados em locais de serviço diferentes. (para disfarçar, coisa e tal e tal e coisa, topam?)

Isto tudo para concluir que, um mau director de operações, nem sempre dá um bom funcionário de limpeza. Para tudo é preciso uma de duas coisas:

Uma – Formação

Duas – Formação

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Reset…

Sou como sou. Uma constatação tão óbvia, como desnecessária, dirão muitos. Afinal, sem excepção, todos são como são… mas será mesmo assim?
António Aleixo escreveu um dia:

Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado,
Sou simplesmente o produto
Do meio onde fui criado.

Só que isto foi noutros tempos. Na altura as pessoas eram, essencialmente, aquilo que faziam delas. Quem tinha o conhecimento, barrava o acesso à informação para liderar, para controlar. Pensar pela própria cabeça era perigoso, ameaçador para os poderes instituídos. É aqui que entra o sou como sou, a que a quadra citada faz referência. Era-se portanto, aquilo que se era permitido ser. E o sou como sou, não seria mais que um... sou o que de mim fizeram.
Hoje não! Hoje, quase todos, a maioria, somos o que de nós fazemos! Claro que, também para a maioria de nós, com a ajuda das pessoas das nossas vidas, pais, irmãos, tios, professores, todo um sei lá de gente que nos foi transmitindo valores. Contudo, compete a cada um, foi-nos permitido e eu diria mesmo ensinado, cultivar em nós tudo o que nos chega. Dois irmãos, educados pelos mesmas pessoas e não importa quem, irão reagir de modo diferente perante a mesma situação, apesar de todas as semelhanças que os unem. É a prova de que os mesmos valores transmitidos, foram cultivados por cada um de forma diferente. Estes irmãos, reagindo de forma distinta perante a mesma situação, estarão a actuar em função da pessoa que cada um fez de si.
Ainda que um eu como produto de terceiros (o tal eu do António Aleixo), me desresponsabilize e não me tire o sono por algumas decisões erradas, atitudes desenquadradas, etc, o eu que tive (tenho) oportunidade de me fazer, encontra-se precisamente no lado oposto. Isto significa que me posso sentir mal, sentir-me culpado com a consequência de algumas decisões, de algumas atitudes, mesmo quando tomadas, efectuadas, com a melhor das intenções! Não obtendo o resultado desejado para nós, sendo que a única pessoa a sair prejudicada por esse insucesso somos precisamente nós próprios, tudo o que colhemos será a frustração. Deveríamos por isso ser suficientes para apagar estas situações das nossas vidas (reter apenas a lição que lhe vem associada). Por exemplo, quantas coisas fazemos ou fizemos por amor que não surtiram resultado? Ainda que não nos arrependamos delas, não seria fantástico se um simples delete informático as pudesse apagar da nossa lembrança?

Estarei, por ventura, a constatar o demasiado óbvio, peço perdão se assim é. Mas se por acaso alguém tem a chave, por favor contacte…






, precisa-se…

sábado, 13 de Junho de 2009

Voltem, voltem... voltem pra lá!...

Voltei, voltei,
Voltei de lá.
Ainda ontem estava em França
E agora já estou cá…

Pois é… ponderei, ponderei muito sobre se deveria ou não colocar um post, acerca de alguns comportamentos a que tenho oportunidade de assistir, por parte dos nossos (não todos, atenção!) emigrantes, quando estão de regresso a este… ‘seu’ Portugal, por alturas do… ‘meu querido mês de Agosto’!
Ora, após uma mui intensa reflexão, decidi que não o devia fazer, como sinal do meu respeito pelo enorme sacrifício, que a maior parte destes nossos conterrâneos, acredito eu, terá feito ao ver-se obrigada a deixar para trás as suas raízes, as suas gentes.
Então, silencio aqui os meus dedos, e deixo que sejam eles a falar por si…


video

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Sonhar, sonhar perdidamente!

AMAR!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… Além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…








(in Charneca Em Flor)


Na quarta-feira, dia 10, fui a um casamento. O acontecimento, em si só, já me iria transportar, de novo, até ‘nós’. Não suficiente, tinha de encontrar uma prima dela, cuja face é o negativo da sua… Não, não casámos… vivemos apenas, como lhe hei-de chamar?... O Sonho?!...

Respondam francamente, apenas para vós próprios, à seguinte questão (acaso não o vivam já,):

- É-te indiferente ou sonhas com o amor-perfeito, o amor que provavelmente até já esteve na tua vida mas que saiu, (apenas saiu, nunca morre) o amor cúmplice que te faz perceber que não és ‘um todo’, mas apenas ‘metade’, e em que ser metade faz todo o sentido, o amor onde sentes que ao dar estás a receber, a receber TUDO, e que por esse motivo, o que recebes é o que menos te preocupa?

Eu sonhei, sonho… sonharei, enfim, com ele. Já o vivi, ainda vive, de resto, em mim… e viverá… apenas lhe mudei o rosto, há alguns dias. Para que eu me permita que ela possa seguir a sua vida, talvez em busca daquilo que foi para mim, e que eu não fui, sou ou serei para ela. Para que também em mim, ela possa repousar.
Ela ama um amor que lhe havia vivido nos dias. Um amor que não lhe morreu, apenas lhe saiu da vida. Ainda amava esse amor quando nos vivemos, aquele pouco tempo que numa eternidade seria sempre pouco tempo. Contudo, ela é-me o amor da pergunta. Nunca foi minha pretensão, substituir-lhe o amor que lhe andou de mão dada até certa altura do caminho. Desejava, inclusive, o contrário. Eu sei que quando é amor, não se esquece, não morre em nós. E amei-a ainda mais por isso, porque isso, não é apenas amar alguém. É amar o amor, pelo amor, e é amar o acto de amar. Nunca lho soube dizer. Não por falta de palavras, nada disso, é que… i just never took the time… e tenho tantas saudades, tantas! Não sinto falta de carinho, mas de a acarinhar. Não sinto falta de beijos, mas de a beijar. Sinto falta de lhe confortar o sono. De a fazer sorrir. Sinto falta de a visitar na hora da refeição para o nosso café. Sinto falta de a abraçar e de lhe murmurar, ao ouvido, o que sentia, o que ela era para mim. Sinto a falta de uma lareira, sem que o frio o justifique, só pela luz, só para amá-la com mais amor. Sinto falta de dançar com ela. Sinto falta de… a sentir! Ela deu-me o privilégio de amar desta forma, eterna. Não vou ser capaz de deixar de amar tudo isto e se, um dia, alguém entrar na minha vida, terá de amar isto em mim, porque isto…
sou eu.

Ainda faço luto. Não ao que sinto, jamais, mas ao que tivemos. Estou a tentar deixá-la onde a vivi. No passado. Mas está a ser menos fácil que o ‘planeado’! Não se escolhe quem se ama e eu quero muito viver este amor com alguém e que alguém viva todo este amor comigo, também.
Aprendi que:

“Cada vez que se ama, é a única vez que já se amou. A diferença no objecto do amor não altera a integridade da paixão, só lhe confere mais intensidade. Na melhor das hipóteses, podemos ter na vida apenas uma experiencia magnífica, e o segredo da felicidade está em reproduzir essa experiência tantas vezes quanto possível.
- Mesmo quando ela nos magoou?
- Especialmente quando ela nos magoou!”
Óscar Wilde


Desculpem este desabafo, mas necessitava de gritar. Acabei por não o fazer porque… vocês estavam aí.

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

O poder de um olhar…


Hoje vi-a!

Não que, antes de hoje, não tivesse já olhado para ela, nada disso! Aliás… muito pelo contrário (se é que me entendem, hum?)
O que aconteceu foi que hoje, ao virar-me inocentemente, muito a sério, inocentemente, se não fosse não o diria, ela estava a olhar para mim! É que eu não fazia ideia de que ela estaria precisamente onde o meu olhar acabaria por se ir pousar… então hoje, só hoje, é que algo em mim se encarregou de me dizer (e disse-mo através daquela batida do coração que nos deixa titubeantes, e a pensar… “que mau aspecto! Será que ela viu este salto dentro do meu peito?!”), mas dizia eu, me disse que ela era a tal... era mas não é. Nem será. Era, porque, um ‘nós’ como resultado de um ‘eu + ela’, nunca se irá concretizar, nunca irá ser! Não terá sido a mulher com que sonhei, não foi, mas poderá em termos efectivos, ser o rosto (e por que não todo o resto do corpo também?!) do amor com que sonho e vou continuar a sonhar. Ela nunca vai estar na minha vida, materialmente falando, eu sei, garanto-vos… a única forma de ela encostar a sua cabeça na mesma almofada que eu, é quando me deito e encosto a minha, porque ela está lá dentro. Já antes por lá andava, só que agora tem um rosto preciso (e corpo também, pronto).
Trabalhamos muito próximos, contudo não lhe sei o nome. E nem vou querer saber. Para mim será sempre uma Xana, uma Tânia, uma Inês, uma Julieta! Será tudo o que eu puder imaginar, muito além do que eu possa ter. Será talvez um livro, (um romance, está decidido) que irei ler durante muito tempo, no qual me permito, como é regra na leitura, imaginar cenários. E se ela soubesse de tudo isto, deixaria de ser a tal…

Quem a mandou estar a olhar para mim, quando eu olhei, inocentemente, para ela, HÃ?!! Agora ela… será sempre aquele olhar.
Até breve

terça-feira, 9 de Junho de 2009

TELEMARKETING… – É possível, por favor, falar com o Sr. Dr. Saloio?

Visitei um blog recentemente, por sinal bastante ‘concorrido’ (mas que até já foi denunciado, não sei se isto quererá dizer alguma coisa… ou então sei!), de uma malta da minha terrinha. Tive a oportunidade de ler naquele espaço, um artigo sobre Telemarketing, que vocês também podem ler aqui. Deixem que vos diga que fiquei incrédulo com o seu conteúdo! A roçar o… falta-me o termo, mas também não o vou procurar. Ora, obviamente que as opiniões, sobre seja lá o que for, FELIZMEEEENTEEE divergem! Este facto, porém, não deveria dar o direito a que se rebaixe ou mal trate nada, nem ninguém. Principalmente uma forma, legal, de ganhar o pão, ou parte dele, como o é esta actividade. Não sei se vocês conhecem os meandros dum callcenter, eu conheço, e isso dá-me a legitimidade que, eventualmente, se poderia exigir para expressar a minha indignação!
O Telemarketing é uma segunda opção para… ‘pagar as contas’! Ou não fosse desempenhado o seu exercício em regime de part-time. Muitas das pessoas que o exercem, em grande parte dos casos, já têm oito horas de serviço ‘em cima do pêlo’, quando entram numa sala de comunicação. E fazem-no, PROVAVELMENTE (digo eu), porque o ordenado do emprego a full-time (entenda-se a tradução de full como: inteiro; completo, não como: estúpido; burro! Estou a falar de quantidade de tempo disponibilizada no emprego principal, e não da ‘qualidade’ (ou ausência dela) do mesmo), dizia eu, se tornou insuficiente, muito graças à generosidade dos nossos exemplares governantes, para pagar as ‘águas’, as ‘luzes’, os ‘gases’ (aqui não se riam…), os ‘telefones’, as ‘internetes’, que todos nós temos de pagar e, num acesso de loucura de meia dúzia de portugueses irresponsáveis, talvez um serviço extra de televisão tipo… TV CABO, ou MEO, ou whatever. (como me pude esquecer da prestação da casa e quem sabe também da do carro?! Afinal não me esqueci, UFA!)
Mas o Telemarketing passa a ser tão mais importante, quando é única forma de rendimento! Ah pois é… é que muita boa gente, inclusive pessoas LICENCIADAS, têm aqui o ganha-pão do momento. Muitas pessoas moram hoje com os papás, ou num apartamento dividido com 3/4 amigos (quando não são mesmo desconhecidos), por apenas conseguirem um mero emprego a part-time!
É informação que é levada, de forma gratuita, até determinada pessoa, sobre um serviço, mostrando oportunidades de adesão promocionais, que quem está a ouvir não é obrigado a nada, nem a ouvir e pode simplesmente dizer: - desculpe, não estou interessado nesse serviço, assunto, (o que for) com licença. – E pode desligar EDUCADAMENTE. Há quem possa considerar, em ultima análise (e neste caso mesmo-mesmo ultima), que até se trata de verdadeiro serviço público!
Vamos, POR FAVOR, continuar todos a gostar de coisas diferentes. Vamos é também ter respeito pelas coisas que não gostamos, principalmente pelas que mexem com a VIDA de quem apenas quer pagar o tecto, o pão, os sapatos e alguma roupa.

Até breve

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Quem amo eu, afinal?!


Tendemos para reconhecer, na pessoa que, hipoteticamente, amamos, ‘qualidades’ comuns, semelhanças com a nossa própria pessoa. Costumamos chamar a isto – cumplicidade.
- Ela(e) afinal também gosta de cinema! Também gosta de leitura! De música calma! Somos “almas gémeas”, está visto! Adora poesia, como eu, passear sozinha (o) à beira mar! por onde terás andado até agora, meu amor? – Subitamente, ela(e), está, em primeiro lugar, no nosso adormecer, e pouco tempo depois, no nosso acordar. É que nos primeiros tempos, apenas adormecemos a pensar na tal pessoa! Só passado algum tempo é que a tal pessoa passa a ser o nosso primeiro pensamento ao acordar, a nossa primeira visão no novo dia! Chegamos então ao momento em que, essa pessoa, passa a ser o nosso primeiro e o nosso ultimo pensamento do dia. É chegada a altura de (nada a fazer contra isso e nem que seja só connosco próprios) assumirmos que estamos apaixonados.
Mas calma… apaixonados por quem? Quem amo eu, afinal? Bem, quer-me parecer que estou a gostar de aspectos que caracterizam a minha própria pessoa! Que raio! Há algo aqui que não bate certo… então mas… de que/quem estou a gostar eu, afinal?! Gosto dela(e) por ela(e) gostar do que eu gosto?!!! Então estou apaixonado por mim!!!

Gostamos na outra pessoa, também e muito das diferenças, mas não nos apercebemos. São as diferenças que nos complementam e nós tendemos a chamar às diferenças (na tal pessoa) DEFEITOS! É claro que as coisas que temos em comum são muito importantes, fundamentais, até, na minha opinião. Quem gosta de dar (seja o que for, um beijo, um carinho, um presente fora de data, etc.) gosta de receber, compreensível, mas não oferece com o intuito de receber. No entanto, como ambos gostam de dar, ambos sabem que vão receber, vão é dar e receber de maneiras diferentes! E é esta diferença que nós gostamos. É o facto da tal pessoa, gostar das coisas que eu gosto MAS faze-las, senti-las de maneira diferente. Amar é muito mais do que isto… amar é gostar dos defeitos. É estar ‘lá’ para ajudar a corrigi-los. É chorar as lágrimas dela(e). Devemos, bem entendido, sobretudo, amar os defeitos da pessoa que amamos!

Até breve

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Ser, por Excelência!


Podemos dizer muitas coisas sobre Mãe. Já muitas foram ditas. Muitas estão ainda por dizer, felizmente. Nunca, em tempo algum, tudo o que foi, é, ou será dito, sobre Mãe, vai estar à altura deste Ser. Nunca houve, há ou haverá palavras que se consigam organizar para descrever em pleno esta maravilha, impar, da natureza, que é a Mãe. É o respeito, a vénia, a que até as palavras se prestam, por tudo o que este símbolo representa.
Mãe, não se diz, Mãe, não se escreve. Nenhum hino lhe faz honra, a merecida e devida honra. Todo e qualquer elogio, não seria mais do que reduzir o seu real valor.
Não tenho a pretensão de definir o que a minha mãe significa para mim. Jamais. Isso, é coisa que o meu silêncio, ainda que de forma infinitamente deficiente/insuficiente, se encarrega de tentar fazer.
Tenho, no entanto, uma imagem sua que me acompanha todo e a cada dia. E ainda que as linhas que aqui vou deixar, representem o meu pensamento, não a considerem como uma descrição. Pois como sabem, o nosso pensamento está em constante actualização de ideias e sentimentos, e o meu amor por si, em permanente crescimento. Por isso considero que… Mãe, não se diz, Mãe, não se escreve. Dizem-se e escrevem-se apenas pensamentos, (nunca sentimentos) sobre Mãe.
Sou responsável por ter feito com que a Sr.ª C. não vivesse a sua vida! Sou responsável pelos sonos que não gozou! Pelos filmes no cinema que não viu! Pelos passeios, viagens, ferias, que não deu, fez e teve! Sou responsável por muitas das suas lágrimas e pelo parco número dos seus sorrisos!
Limpou-me na dor, as lágrimas com os seus beijos. Anestesiou-me na aflição, o sofrimento com o seu abraço. Mas a minha lágrima, afinal, foi chorada, tantas vezes si! E o sorriso, quando me faltou, deu-me o seu sem nunca o reclamar de volta!
Os seus cabelos brancos, hoje, são o fruto que colheu de toda uma vida devotada aos seus filhos. Da ausência da sua própria vida, para que três outras vidas possam finalmente ser… a sua Vida!

- Na saudade, Mãe, tu és a lembrança que gosto e trago sempre comigo! Só assim te sinto sempre, outra e outra e outra vez perto de mim! E por que tu és Amor, agradeço-te por tudo da única forma que sei… em silêncio, Amo-te MÃE!

O Livro, a Árvore e o Filho!


Dizem que um homem só é homem quando: plantar uma árvore; escrever um livro; tiver um filho…

Recordo, com uma saudade que nem as lágrimas atestam, alguns passeios que, há TRINTA anos, dava com o meu pai! Grande parte destes passeios aconteceu, ao fim de semana, quando visitávamos a aldeia onde moravam os nossos avós. Na qualidade de criança, eu, na altura, claro que conhecia todas as crianças da terra e quando chegava o Sábado, já estava pronto (há cinco dias) para passar o ‘fds’ a brincar com os ‘putos’ da minha idade. Isso aconteceu um número de vezes que é impossível registar aqui, porém, não raras foram outras em que, estando eu em plena diversão colectiva, qual jejum de toda uma semana daqueles amigos, o meu pai aparecia (para ir dar a sua volta por algumas fazendas da família) e, interrompendo o meu êxtase, me perguntava se queria ir com ele. Não me recordo de dizer que não, há-de ter acontecido, claro, mas não me ficou gravado na memória. Tal como na memória não me ficaram gravados estes passeios… estes passeios ficaram-me gravados no coração, porque é lá que guardo tudo o que é eterno!
Seguíamos, então, caminhando lado a lado, eu num esforço de atleta para acompanhar o ritmo do meu pai, no nosso passeio. Lembro-me que o enchia de perguntas! Não tenho presente o teor da minha curiosidade, mas como esta era geral (não fosse eu uma criança), fácil se percebe que, se eu lhe perguntasse algo do género: - ó pai, isto é água? – Antes que ele pudesse responder, já eu estava a perguntar se ‘aquilo era vinho’! Foi uma época mágica, e é a imagem da minha infância!
Os anos foram passando e houve prioridades erradas que me começaram a ter, se é que me entendem…
Adolescência, amizades que afinal não são, influencias, enfim, uma sucessão de factos também conhecida como; vida, que acontece a toda a gente, mas que toda a gente gere de modo diferente.
Nesta fase o meu pai deu-me várias ‘respostas’, sem que eu tivesse feito perguntas… ‘respostas’ a que não dei ouvidos ‘de ouvir’! Afinal, eu já era um homem, e como homem que era, fiz muita, desculpem o termo, merda! Mas essas são outras contas.

Hoje, tenho a idade que o meu pai tinha quando dávamos aqueles passeios na aldeia e, enquanto escrevo estas linhas, não impeço, nem tento sequer, segurar uma lágrima que quer cair ao recordar o meu sorriso, o meu eterno sorriso de criança, orgulhosa, feliz, a passear ao lado do seu pai.
O meu pai, felizmente, ainda hoje acorda todas as manhãs para ‘escrever’ a cada dia uma folha na sua vida. Nalgumas páginas desse Livro, estão também os dias que passa a cuidar das Árvores que plantou num belíssimo pedaço de terreno que possui. Quanto ao Filho…

- Gostava de ser hoje, com a idade que tinhas naquela altura, o que então já eras! Bem sabes que, na mesma turma, um professor tem o aluno que tira 20 Valores e o que tira 8! O teu AMOR, a tua paciência, deu-me tudo o que tenho de bom na pessoa que sou. Se hoje não sou melhor é porque ainda não o soube ser, mas vou lá chegar! Não sei se, para ti, algum dia terei sido, sou ou serei filho, não no sentido biológico da palavra, mas tenho orgulho em te dizer que, em ti, tive, tenho e terei sempre um pai! Obrigado por, na maior parte da tua vida, teres abdicado de seres tu, para teres sido eu! Amo-te, pai.

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Quanto custa a amizade?


Quem nunca passou por um só que seja momento difícil na vida, não se preocupe. Vai passar. Por outro lado, quem só viveu momentos difíceis na vida, que se preocupe. Pois neste caso, não há garantias de que venha a gabar-se de ter tido um momento de sucesso, nesta sua passagem por cá.
Eu faço parte do grupo de pessoas, que acredita que sucesso pode ser, por exemplo, poder gabar-se de ter tido amigo (s) nesta vida, que é afinal, um período de férias que a morte nos concede. No entanto, só saberemos que temos (tivemos) um amigo (ou vários), no final destas férias. É que só há um tipo de amizade, chama-se amizade e é para a vida. Ora, como é para a vida, só precisamente no final desta, é que se pode concluir que foi amizade, parece-me lógico.
Todo e qualquer tipo de relação que, por qualquer motivo, chegue ao fim, pode ter sido tudo, mas amizade nunca foi. Quando uma relação entre duas pessoas termina, seja ela de que origem for, há sempre duas pessoas responsáveis por esse facto; elas próprias, claro. A culpa nunca é só de uma, como muitas pessoas ainda pensam. É discutível, naturalmente, que pode haver intervenção de terceiros, mas não é relevante para a ideia que quero apresentar.
Quase tudo nesta vida se gasta. Ainda que não se perca. É o sinal inequívoco de que estamos a servir-nos do que é colocado à nossa disposição. Um bom sinal, portanto. Porém, a amizade, é das poucas coisas (não importa citar outras) que não se gasta. É então algo que, não só podemos usar, como também podemos abusar (bem entendido, obvio). Quem nunca ouviu a expressão: “ama-me quando eu menos merecer pois é quando mais preciso do teu amor”? Ou outro exemplo: “no dia em que eu não te sorrir, é quando mais preciso do teu sorriso”?
Erros todos cometem. O amigo, nessas horas, em que não nos apercebemos que o (s) cometemos, está lá para nos dizer isso. Com frases abertas! Com frontalidade! Pode não haver lições de moral, o tão conhecido ‘sermão’, mas não é disso que se trata. Trata-se de amizade. Trata-se de nos ‘emprestar os seus olhos’, quando os nossos não conseguem enxergar!
Se há sítios onde “podemos” cometer erros, é precisamente na amizade. Pois o amigo vai ser Homem e vai fazer-nos ver a asneira (s) que estamos a cometer. Por outro lado, o “vulgar”, vai usar também as mesmas frases abertas, só que não connosco. O “vulgar” vai saber dizer a terceiros, seguro de que nunca errou, toda a monstruosidade, toda a aberração, que é o erro (s) que estamos ou que acabámos de cometer. Essas frases abertas, (ditas pelo…”vulgar”) muitas vezes, ‘comem-se e bebem-se’ em jantares comprados e, ou, em copos sinceros, onde o… “deixa estar que eu pago”, justifica que esta é que é a amizade! (Amizade que, curiosa e ironicamente, um dos lados não questiona, mas que o outro lado, à noite, no escurinho do quarto, no silencio da cama, deixa escapar dentro do pensamento um… “já não te posso ouvir”!) Onde tudo o que é dito por este “vulgar”, se guarda dentro duma espécie de nuvem, uma espécie de balão, onde a linha que envolve essa nuvem, esse balão, no seu contorno interior, garante (sem que seja dito) que… “eu é que sou o serio, o infalível”, e no limite exterior, desculpa a sua acusação com um (também silencioso) … “não estou a falar mal, estou apenas indignado com o comportamento de fulano de tal!”
Não sofro desilusões com o comportamento humano. Já não! Já me desiludi muito. Com algumas pessoas, sim mas sobretudo comigo próprio, com erros de que me arrependo completamente e, muito por isso, resolvi baixar as expectativas, totalmente. Agora prefiro ser surpreendido pela positiva.
Nisto do comportamento, do ‘errar’, não há mais altos nem mais baixos! Não há erros maiores e menores. Há pessoas e há erros. Somos todos da mesma altura e olhamo-nos nos olhos ao mesmo nível. Errar numa relação, minhas amigas, meus amigos, está como o vento para uma vela e para um incêndio… apaga a primeira e ateia o segundo! E o verdadeiro erro, é aquele com o qual não soubemos aprender NADA. A única situação em que um Homem pode e deve olhar outro de cima, é quando o está a ajudar a levantar-se!
Quaisquer € 250; 500; 750, etc. podem estragar qualquer relação de merda, mas nunca uma amizade! A amizade não tem preço.
E se na natureza sobrevivem os mais fortes, dos fracos não reza a História!

Até breve.

terça-feira, 19 de Maio de 2009

A cor da mentira!



Acaso alguém conhece uma mentira, que não seja de engano? Acaso alguém conhece uma mentira, que não seja destinada a manipular, a tirar o melhor proveito duma situação, a deixar os outros enganados quanto à veracidade de determinados factos? Pois é… só existe um tipo de mentira, e todos sabemos como se chama, chama-se MENTIRA. Seja ela branca ou da cor que lhe queiramos dar. Desengane-se quem pensa que pode ‘poupar’ alguém, quando usa como argumento uma ‘não verdade’. Quando alguém mente a uma pessoa, este facto só tem um motivo que o justifica; essa pessoa parece não ser suficientemente importante para ela, não ser suficientemente importante na sua vida. Contudo, a primeira pessoa a ser enganada pela mentira, é precisamente quem mente. Mesmo que eu possa dizer que fiz algo, quando efectivamente não fiz, porque, por exemplo, fui acometido pela preguiça, estou a enganar-me. Como é lógico neste caso, a pessoa a quem eu estou a dizer que fiz algo, vai ficar a pensar que o fiz e eu, que disse que o fiz não o fazendo por que sei que o mais correcto seria tê-lo feito, só estou a enganar uma pessoa… eu próprio!
Ainda assim, a pior mentira, é a que nos chega de alguém por terceiros. Eu explico. Quando uma pessoa em conversa com outra, mente sobre uma terceira. A única coisa tão ou mais grave do que isto é, a pessoa que ouve, não dar uma oportunidade à pessoa vitima de injuria, de apresentar argumento em sua defesa. Há quem diga que a confiança é como a virgindade, só se perde uma vez. Mas só um tipo de pessoa não dá segunda oportunidade; a que não erra. E destas, não conheço nenhuma. Por exemplo, os macacos não erram precisamente por que errar é Humano. Das duas uma; ou anda por aí muito macaco que sabe ler e escrever, ou então anda por aí muito ser humano que não sabe o significado, o verdadeiro significado de AMIZADE, SINCERIDADE, DISPONIBILIDADE, LEALDADE. Só uma pessoa verdadeiramente mentirosa consegue subdividir a mentira em categorias. Estas pessoas, as que dão cores às mentiras, devem ter presente que, ao tratarem a confiança nas relações interpessoais como se fosse um sistema de créditos, estes se começam a perder com a mentira que elas dizem ser… branca!

Até breve.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Sou Infeliz, felizmente!



Cada dia é uma hipótese de uma outra vida, de uma nova vida. Como se o adormecer fosse o morrer e o acordar, a cada manhã, fosse o nascer, bem entendido. Mas já lá iremos.
Não se trata de questionar, o grau de felicidade com que vivemos. Há muitas pessoas que podem afirmar que são felizes. Que os seus dias, desde o acordar até ao adormecer, são recheados de momentos, que não causam qualquer motivo para desejar não ter acordado nessa manhã. E que as suas noites, são preenchidas, desde o encosto da cabeça na almofada até ao acordar, pelo relaxe total e sereno. E que neste período, são apenas visitadas pelo sonho e nunca pelo pesadelo. É uma forma, provavelmente a padrão, de felicidade, proporcionada por um conjunto de factores que não importa relevar. Importa sim sublinhar, que nada falta acrescentar nos dias e nas noites destas pessoas, pois estamos precisamente a falar de uma felicidade existente. Contudo, esta será apenas uma pequena fatia, retirada de um grande bolo. Acredito que, infelizmente, a maior quota deste bolo seja composta por pessoas, cujo primeiro pensamento, quando abrem os olhos, pura e simplesmente se traduz em algo como: - Oh não! Lá vem a mesma merda outra vez! – Ou talvez um: - F***-*e, a noite já passou?!! Quem dera não ter de me levantar, c*****o. Pois eu convido estas pessoas, que fazem parte desta fatia, a juntarem-se à terceira… uma fatia mais pequena do que esta segunda mas maior do que a primeira, alias, substancialmente maior, que vê no novo amanhecer um desafio. Ou seja, vê no novo dia, a possibilidade de uma vida, ainda que só ligeiramente, diferente da do dia anterior, e por isso, a possibilidade de nova vida, a cada dia que passa!
Como se consegue isto? Pois bem, através da introdução de pequenas coisas que lhe dão sentido. Coisas que até queremos fazer, sós ou acompanhados, há muito tempo e que temos vindo a adiar (e é este adiamento, para um tempo que nunca vai chegar, justamente por nunca chegar, que ainda nos torna os dias mais infelizes). Coisas que queremos dizer a alguém, e que não dizemos, prometendo a nós próprios que dizemos ‘amanhã’, sem a consciência de que isso nos vai pesar no sono e tornar o ‘amanhã’ mais ‘carregado’, esquecendo-nos que anteontem tínhamos prometido que dizíamos ontem, que ontem projectáramos dizer hoje, e que hoje assumimos, bom, já perceberam… uma outra questão é que, para essa pessoa, ou até para nós, o ‘amanhã’ pode já não vir… porque para todos nós, vai haver um ‘hoje’ que já não trará um ‘amanhã’…
São estes pequenos ‘nadas’, os particulares da vida, que mexem com todos os seus aspectos gerais. São estes vazios que temos de encontrar maneira de ir preenchendo. Vazios, minhas amigas, meus amigos, vão haver sempre! A grande sabedoria, está em aceitar a vida como ela se oferece!
Talvez a nossa felicidade, seja a sua própria busca… sou feliz na minha ‘infelicidade’, porque tenho vazios para ir preenchendo… e a cada vazio que preencho, outro vazio se apresenta para preencher… e creio que é por isso que vou sendo feliz… precisamente porque… "I still haven’t found what i’m looking for!"

Até breve.

domingo, 10 de Maio de 2009

- Mama, nasci! Já tens namorado?!



O amor entre duas pessoas, e agora vou falar simplesmente de duas pessoas heterossexuais, perdoem-me o aparte os homossexuais e lésbicas, mas perceberão à frente do que falo, e estou certo que boa parte concordará comigo, sempre foi uma matéria muito relativa. É tão relativa que, é apenas conversável e não discutível. - E porquê? - Perguntam vocês. Bom, logo, por tudo o que encerra o conceito de ‘amar’. Somos na terra, mais cabeça menos cabeça, cerca de seis biliões de ‘cérebros’, ou melhor, de pessoas. Porque apesar do ‘cérebro’ ser uma coisa fantástica e característica do ser humano (falo do cérebro pensador, inteligente, claro), nem todas as pessoas têm um! Mas como eu dizia, seis biliões de pessoas, seis biliões de formas de amar. Não se repete uma. Ora, é precisamente isto que leva a situações, normalíssimas, bastante frequentes, de desencontros amorosos. Contudo, sabemos bem que, o que hoje é verdade, amanhã é mentira, e vice-versa. Introduzamos, então, na conversa a ‘paixão’. A paixão é uma maluca! Uma maluca que nos tenta enganar, que tenta confundir todo o nosso rol de sentimentos. Chega, de um momento para o outro, como se viesse cheia de pressa: - Vamos lá aviar isto que eu tenho de ir para outra freguesia. - E começa a tentar convencer-nos que o que sentimos, afinal, é amor! Quer dizer, acabámos de conhecer uma certa pessoa e, de repente, é amor! Convenhamos… Ó ‘paixão’, tem lá calma contigo! Minhas amigas, meus amigos… não é nada disto! Ou será mesmo?!!! É que antigamente, tipo… há dois dias, duas semanas, dois meses, dois anos, duas décadas, dois séculos e por aí fora, as pessoas primeiro eram apresentadas umas às outras, ou, sim senhor, apresentavam-se mutuamente. Conviviam um pouco. Se houvesse alguma compatibilidade, aumentavam o contacto entre elas. Descobriam gostos comuns, partilhavam histórias, enfim, aumentavam, de um modo natural, a cumplicidade. Nesta fase, começavam a desconfiar que estavam a gostar da outra pessoa… e depois, quando vinha a certeza desse sentimento, viviam-no com (e aqui sim, faça lá o favor de entrar) PAIXÃO! Então, quando se confirmava que a outra pessoa sentia o mesmo, acontecia o AMOR! Normalmente a consequência de tudo isto era, e é… namorar! Por tudo o que implica uma vida a dois. Simples! Para saberem se o amor é sustentado. Se tem hipóteses de sobreviver, forte e unido, às dificuldades que os nossos políticos nos vão, generosamente, oferecendo, eleições após eleições. Mas sobretudo, forte e unido na sinceridade, na confiança, na admiração, no respeito! – Porquê? - Perguntam vocês de novo. Precisamente porque essa vida a dois, poderia vir a tornar-se uma vida a três. Ou a quatro, ou a cinco ou a mais, com todas as responsabilidades implícitas.
Mas há quem faça o contrário. Primeiro engravida-se: - Ora bem, já estou grávida e agora o que era mesmo que vinha a seguir? Ah, já sei, ver uma casa, lalala pupitu tarari, esta serve. Bem, já agora namoro com o futuro pai do meu filho. Pronto, já está. Afinal já namorava e nem sabia. Pensava que eram só umas quecas. Se calhar é melhor dizer-lhe que estou grávida, não?! - Nisto, enquanto ela lhe liga: - Olha, vem ter comigo à maternidade que eu preciso de falar contigo. – Ouve-se uma voz: - Mama, nasci! Já tens namorado?!
E assim se reúnem as condições para esta criança ser feliz! Uma criança desejada, fruto de uma relação duradoura, forte e unida! Sustentada na sinceridade, na confiança, na admiração, no respeito!
E é isto minhas amigas e meus amigos. Como vêm aqui está uma das seis biliões de formas de ‘amar’ de que vos falava.
Como vos disse, o cérebro é uma coisa fantástica! Toda a gente devia ter um!

P. S. Apenas dar uma palavra a todos os casais, gays incluídos, que reúnem todas as condições para criar uma criança feliz, e que lutam há anos para tal, mas que, neste país de atrasados, não conseguem vencer o processo de adopção! Para todos vós, a minha SOLIDARIEDADE.


Até breve.

sábado, 9 de Maio de 2009

Amai-vos uns aos outros como irmãos, assim, como Eu vos amei!



Dizem que, há dois mil e qualquer coisa anos, nasceu uma criança a quem os progenitores deram o nome de Jesus. Ao que consta, terá sido uma criança normal. Brincou na infância. Caindo e magoando-se. Pregou sustos aos pais com as feridas. Com os atrasos, ao chegar a casa tardíssimo, depois de perder a noção do tempo, enquanto brincava com outras crianças. Terá havido alturas em que não quis comer a ‘papa’ toda. Terá ficado de castigo por isso e, ao invés de ir brincar, terá ido ajudar o pai, carpinteiro ao que parece. Foi aprendendo com esses erros e também consta que, desde muito cedo, nas suas derrotas, soube não perder a lição. Por esse motivo, e também através do testemunho dos mais velhos, foi bebendo nas suas experiências, assimilando assim, os valores da vida em sociedade, enfim, os valores da Vida. Parece que o fez de uma forma precoce, pelo menos em relação às meninas e meninos da sua idade e, infelizmente para o ‘bem’ comum, foi pondo em prática esses valores, de forma isolada.
Era o orgulho de sua Mãe, Maria, mas dizia-se que o seu, também orgulhoso, pai, José, não o era de facto. Dizia-se então, que este Jesus, (este porque na época o nome Jesus era um nome usual), dizia-se então, Ele ser Filho de Deus. Seria por isso filho de:
1) FILOSOFIA [com maiúsculas] Principio ou origem de todos os seres e origem e garantia de tudo o que de excelente existe no mundo;
2) RELIGIÃO [com maiúsculas] nas religiões monoteístas, ser absoluto e único, criador do Universo, infinitamente perfeito, necessário e eterno;
3) RELIGIÃO nas religiões politeístas, ser superior que tem poder sobre o Homem e ao qual é prestada veneração;
4) [fig.] pessoa a quem se vota uma dedicação extrema;
5) [fig.] o que é objecto de adoração e a que se sacrifica tudo o resto.

O que é facto, é que Jesus começou a transmitir uma mensagem de Paz. Uma mensagem de Amor. Transmitia-o por palavras e por actos. Desprendendo-se dos valores materiais, que nada enriquecem o egoísta. O que vive só. Devido a esta atitude, a esta postura, destoava de todos quantos o rodeavam. Ainda assim houve, naturalmente, pessoas que, com a melhor das intenções mas com algumas compreensíveis falhas, Lhe tentaram seguir o exemplo. Foi considerado uma ameaça ao poder instituído, e como tal perseguido. Acabando por ser condenado à morte e executado. Foi crucificado. Uma prática normalíssima na altura, para quem era condenado à ‘pena máxima’.
Não há lições de moral. Não vos quero por isso converter, a nenhum tipo de religião. Nem tentar sequer. Apenas convidar-vos para o seguinte exercício:
Vamos todos imaginar que Ele não existiu! Vamos todos imaginar que o Homem que morreu por dizer que nós somos todos irmãos, e por isso todos iguais, não existiu!
Mas a mensagem da Paz está cá!!! A mensagem do Amor está cá!!! A mensagem de que somos todos iguais está cá!!!
Então, ainda que possam esquecer a parte do: “Assim, como Eu vos amei”, tentem, no vosso dia-a-dia, praticar a parte do: “Amai-vos uns aos outros como irmãos”.
E já agora vão pensando nisto; se Deus não existe, por que é que existem ateus?...

Até breve.