sábado, fevereiro 07, 2015

A Bela Adormecida

(À minha irmã)


Vou deixá-la descansar. 

Antes disso, porém, preciso apenas de chorar umas letrinhas. Que serão sempre insuficientes para as palavras lhe fazerem jus mas… tenho de as chorar. E nem isso saberei fazer porque, de intimidadas, escorrem desorganizadas, as letrinhas, mas a Bela, a Anabela, perdoa-me; não fossem lágrimas.

Não me lerá estas palavras. Jamais acordará do sono que dorme. Encontro conforto em outras que me leu, que me ouviu, gémeas destas, gémeas afinal como nós éramos, não na idade, na alma. Foi assim desde que me lembro de mim e, até há bem pouco tempo, tinha mais recordações de mim, do que eu próprio; quanto vale uma mana mais velha?!

Só eu sei o quanto me amava; como pude eu ser amado assim?! Via em mim algo que eu não sentia ser, mas era, para a minha mana eu era e, por isso, passei a ser para mim também, afinal sempre soube mais do que eu. Mudou o meu mundo, aos poucos, quando fui percebendo a dimensão da importância da minha palavra. Do meu silêncio presencial; a alegria que a minha presença lhe trazia!... As forças que recarregava no meu abraço. A vaidade com o meu beijo. O orgulho pelos laços sanguíneos.

Fazia questão de me dizer que não amava ninguém como me amava. Eu sei que nunca ninguém me amou tanto.

Fez-me sentir Humano. Faz-me senti-la “A” mana.

Maninha:
Só vou perder-te na morte,
Já só falto eu morrer.
Quem me dera ter a sorte
De, na morte, te reaver.

Anabela
04/07/1967 – 27/05/2014

domingo, março 04, 2012

À Minha Frente

Quase vejo.

Não sou invisual mas… sou dos que vêm mal. Principalmente quando olho. Não sou daltónico, aparentemente, no entanto confundo algumas cores; esperança-sangue com paz-luto, por exemplo. Ao longe só tons, o preto e branco, e, ainda assim, confundo-os. Muito perto, tudo se desfoca. Afasto-me. Fecho os olhos, pareço escutar...

Quase ouço.

Não sou surdo mas… sou dos que escutam mal, principalmente quando ouço. Sou poliglota, ich kann es beweisen, no entanto não entendo o que dizem. Ao longe só sons, falam muitos ao mesmo tempo, e, ainda assim, escuto vozes em silêncio. Já mais perto, ouço nim e escuto são. Afasto-me e tapo os ouvidos, pareço… estar perto em demasia para sentir; retiro-me para que haja algum sentido. Degusto o cheiro da dor, na esperança que não me doa cheirar-lhe o sabor. Tarde demais.

Tudo o que faço é porque querem, e quase nada é querido; se sorrio, provoco. As minhas lágrimas são cínicas. Se escuto traio. E se opino, induzo. Se ajudo é a errar.

E tudo ali, diante de mim, tão perto de ser tão fácil. Haverá coisa mais fácil que tornar difícil o que está perto?
Sou um felizardo, apesar de tudo, por nem ao espelho poder estar no título.

domingo, dezembro 26, 2010

O Pai, Na tal noite

Se o tempo, o do relógio, nos rouba a infância, devolve-no-la também, passado mais algum tempo, quando nos traz as rugas.


Uma mesa que reúna para uma refeição os meus pais e os meus irmãos será sempre o meu Natal. Por isso (ainda) sou dos que tem a felicidade de o viver algumas vezes por ano.

Era um pai forte que eu via quando olhava para o meu, em menino. Um pai que a vida se encarregou de endurecer, para que a minha e a dos meus irmãos fosse o mais suave possível, enquanto indefesos. Hoje reparo, com orgulho, que apesar de manter a racionalidade, o meu pai destrancou no seu coração aquele compartimento onde foi depositando e mantendo guardado o sentimentalismo. Nos Natais de hoje já recorda, de lágrima assumida e sem receio que a voz o traia, os tempos em que teve de intervir junto, primeiro de um depois de outro, dos patrões dos irmãos, para que os seus futuros profissionais não se hipotecassem. Fez nessa altura de pai deles, um mais novo catorze anos, o outro dezasseis, sob o olhar atento do meu avô que, ao fazer o papel de seu pai, o deixou ser pai dos irmãos, ensinando-o e preparando-o assim para um dia saber ser (meu) pai.

Se pelos filhos teve de se fazer duro, hoje os filhos são pais. E ele é da idade dos netos.



Agora já pode ser menino outra vez. As rugas permitem.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Verbo amar, no futuro mais-que-perfeito

Participação no desafio de Setembro - Tema Livre - da Fábrica de Letras.


Que ingénuo, em querer-te nos meus dias!
Se és mais, tanto mais do que sonhei…
Como podias ter gostado do tão pouco que serei?
Não, querida… não podias…

Ainda assim, não te será indiferente
Que encerre no que escrevo, enquanto duro,
A tua ausência no meu passado, no meu futuro,
E que te viva intensamente no presente.

Como posso chorar o teu riso,
Se é a felicidade que o coloca na tua face?
Antes chorar, a vida inteira, eu me ficasse,
Se eternizasse, com isso, o teu sorriso.

Eu sei, minha doce, nada disto tu pediste,
Mas ao leres aqui a minha voz,
Acalmas-te com um tu fora de um nós…
Um nós falso, que só em mim existe.

Agora adeus, eterno amor, que o amor me chama.
É por amar-te que eu me vou embora,
Será amar ao saber-se quando é a hora,
De entregar quem amamos, se não nos ama!

sábado, julho 03, 2010

O bem dos outros

Com o mal posso eu bem. E com o bem? … Constato que com o bem, o dos outros, quase sempre se pode (só) mal.

Se a imitação, dizem, é um elogio, então imitem. Imitem o que qualquer pessoa possa ter de positivo, se vos acrescenta algo, se vos enriquece, até que o façam por vós próprios. Até que isso seja parte do que são sem já terem que imitar, mas não se rendam a uma inveja de personalidade estéril, que vos tornará numa pessoa que, provavelmente, nem são. Dêem o melhor de vós, nem que isso seja dar mau, mas dêem. Apazigúem-se com isso. Cada dia é mais uma oportunidade, "amanhã ser(ei)á melhor".

É difícil ser-se bom de coração. Causa desconfianças, imediatamente. "Tens boas intenções, então és falso, ponto."

"Como me defendo de alguém que avalio ser melhor que eu?! Ela/e é o bom, então onde é que eu fico? … Vai roubar-me a ribalta..."

Não há um melhor que todos, pelo menos não de forma permanente.



Quanto a mim, é-me suficiente tentar ser melhor e bom a cada passar de tempo. Não faço esforço em tentar estar de bem com as pessoas, porque só conheço essa maneira de estar na vida. E não, não alinharei em guerras que queiram comprar, em confrontos de personalidade. Isso tornaria, aos meus olhos, mais pequenas essas pessoas. Desiludido já não, mas triste sim. Sinto-me triste com algumas atitudes, com algumas conclusões que tiram, quando o passado está repleto de exemplos que permitem concluir o inverso.


Sinto-me triste, por as vias cerebrais onde passeia a inteligência de algumas pessoas, serem afinal becos sem saída.


Se as pessoas são mesmo do tamanho do que vêm e não do tamanho da sua altura, percebo porque anda por aí gente que eu não vejo.

segunda-feira, maio 10, 2010

SÁBADO, MAIO 09, 2009

Tenho permitido que me falte o tempo. Isso leva-me a estar em falta para comigo e para contigo. Tenho sentido a tua falta e chego a sentir que tenho vindo a portar-me como um verdadeiro egoísta… No fundo, foste também tu que me precipitaste para este ritmo, demasiadamente acelerado, que parece querer ver-nos longe um do outro. Sei no entanto o que sentes, o que pensas, que sabes que é temporário. Sei que estarás sempre aqui para mim. Trouxeste outras vidas que me foram e são tão importantes, e não consigo traduzir em palavras o bem que me acrescentaste aos dias.


Parabéns pelo teu 1º aniversário, e até ao meu regresso com mais frequência, vai perdoando como puderes as minhas ausências...

 i blog you, please!

quinta-feira, março 04, 2010

Schhhh... Cala um pouco mais baixo!

Este texto já tinha sido publicado aqui. Esta nova publicação enquadra-se no desafio "Silêncio", da Fábrica de Letras.


Já muito se registou sobre silêncio. Também já o fiz. Sou testemunha das maravilhas que encerra, porque o escolho muitas vezes para companhia.

Mas há outros. Há outros silêncios… Há silêncios que são verdadeiras torturas. Aqueles que não são escolha. Que nos são oferecidos sem que lhe saibamos o porquê. Que nos magoam mais, incomensuravelmente mais do que aqueles que, descarada e insensivelmente, nos confrontam com as respostas que nunca queríamos que chegassem. Mas estes, pelo menos, trazem respostas. E se a dor que algumas dessas respostas trazem é inevitável, já o sofrimento se transforma em algo opcional.

Não considero o silêncio, nenhum género de silêncio, a arma dos fracos. Acomodamo-nos a tantas situações por ser tão mais fácil permanecer, no que se conhece, em função de rumar a um desconhecido, que à partida já tem rótulo de dor. Acredito que muitas vozes se calam, em sofrimento, para que as suas palavras não magoem. Assim sofre só um, o que cala. Errado. Sofrem as mesmas pessoas envolvidas. Muda apenas o modo. E este silêncio, o não escolhido, muitas vezes não nos permite ouvir o que o outro, o escolhido, tem para nos dizer. Pode assistir-nos toda a razão para optar pelo silêncio – inquestionável. Porém, deveríamos remeter-nos a ele somente após apresentarmos os nossos motivos. Ainda que não os queiramos discutir. Apresentá-los, simplesmente.

Já o disse aqui, e não só, que sou um respeitador nato. Como tal, serei capaz de respeitar todo o silêncio que me queiram dirigir. Mesmo que injusto. Já lá vai o tempo em que me preocupava em me justificar e tentar apresentar os meus motivos, sem que mos quisessem ouvir, quando me deparava com alguma atitude injusta para comigo. Agora não. Quem gostar de mim, o mínimo que seja, há-de confrontar-me antes de me julgar e de me condenar seja ao que for. Nem que seja ao jejum das suas palavras.



É incomparavelmente mais doloroso um silêncio não justificado, do que mil palavras ofensivas e injustas!



Se este silêncio se deve ao facto de eu te ter magoado, ainda que sem consciência disso, apresento aqui as minhas desculpas, onde me podes ler por opção. Onde não tenho de invadir o teu mundo.

Antes de virar esta página, quero que recordes que se a vingança nos torna iguais, o perdão faz de nós superiores.

Se é que tenho algum poder no campo do perdão, que se dane a superioridade... O teu silêncio está perdoado.

sábado, fevereiro 20, 2010

Pensamento preso

Aguarda-me (sempre) uma conclusão lógica. Por ser minha. A única coisa verdadeiramente minha.
Porque não me posso soltar de tudo o que me influi, posso ao menos concluir que, se assim não fôr, a nenhum de vós, que me influencíam, assiste pingo de razão.
Neguem o que sou, negarão o que defendem...

Não precisam concordar, lógico!

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

i blog you, please - By Soraia Silva















"É esta a ideia que tenho sobre ti e o teu espaço (sim porque o nosso espaço, é o nosso reflexo, à qual não precisamos de conhecer a pessoa, pois o espaço já diz muito)... A tua escrita é de quem aprecia o silencio, o sossego, para que cada palavra seja pensada ao pormenor, consoante vais escrevendo.
A sala praticamente vazia, foi só para simbolizar a tranquilidade."
Soraia Silva


E que ideia linda tem ela sobre mim! Sobre este espaço!
Soraia é uma das primeiras seguidoras deste blogue. Conhece bem a casa.
Ela é uma artista na montagem de imagens, como se constata neste seu trabalho.
Pediu que a desafiássemos. Eu, aqui, desafiei-a! Devo dizer que não poderia ter gostado mais do resultado!
Aquele que se não vê, na imagem, sou eu. Com aquela luz, aquele barulho. Com vocês bem ali, à minha frente, onde me dou em palavras!


Obrigado Soraia, pelo modo lindo como me lês!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Choram letras

Poetisa e Senhora, uma escritora não morre.
Como pode morrer alguém que se lê? – Só porque se não vê?!
Essa é boa! Não me digam que também morreu o Fernando Pessoa?!
Não, não acredito. Têm tanta coisa escrito, que irão viver ainda muito.

As palavras não morrem… Vivem dos olhos que as comem.

Por isso não lhe choremos a morte, mas a triste sorte das letras
Que ela não irá juntar!
Fica a minha vénia, ó Rosa, nem sei se em poesia ou prosa,
mas isso também não interessa. Porque não me sai da cabeça, mas do peito.
E sei que não tenho o teu jeito, nem pretendo ser-te igual.
Nem todos os portugueses são do tamanho de Portugal.

Nasceste para não morrer, porque ler-te é o prazer que sentias,
Quando escrevias.



Rosa Lobato Faria 1932 – 2010

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Ténue Linha do Amor

Desafio "Velhice" - Fábrica de Letras

Encontrei um coração, estava a chorar.
Perdera o amor que acabara de achar.
Levantei-o do chão, tremiam-lhe as pernas,
Suas lágrimas, lindas, pareciam eternas!
"Este meu desencontro, chorarei toda a vida",
Disse, soluçando, falando da ferida.
Imaginei-lhe um vazio tão cheio de tudo,
Queria ajudá-lo, falar-lhe, sentia-me mudo...
Foi então que me disse que não estava triste,
Tinha descoberto apenas que o amor existe!
E falou devagar para eu perceber:
"Prometo amá-la enquanto viver!"
Os anos passaram sem pedir licença,
E eu ali estava, na sua presença.
No leito da morte tinha-me chamado.
Contive as lágrimas ao vê-lo deitado.
Esboçou um sorriso, ao ver-me chegar,
Sorri-lhe de volta mas queria chorar...
E a custo falou (era quase inaudível)
Mas fazia o esforço que lhe era possível:
"Prometi amá-la enquanto vivesse,
Nem que outra mulher meu amor quisesse!
Agora é a hora de eu te dizer,
Prometo amá-la depois de morrer!"
Caíram-me lágrimas, e só sabe Deus...
Eram as mesmas que caíam dos seus!
Então percebi, quando ele morreu,
Quem estava deitado, morto... era Eu!

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Desafio


                                                                                                                                                              A Nirvana e a Soraia desafiaram-me. Obrigado "meninas". Vamos lá então!


Questão 1: Tens medo de quê?
- Da solidão não escolhida.

Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
- Canetas, esferográficas! Tenho de evitar as montras. É quase doentio...

Questão 3: Farias alguma loucura por Amor/Amizade?
- Outra vez?! - Claro que faria. Mas seria a minha loucura a mesma que a vossa...?

Questão 4: Qual o teu maior sonho? (responder paz/amor/amizade é "trapacear")
- A casa paga em "tempo de vida útil". As prestações à habitação, são umas das maiores explorações da nossa sociedade. Ainda assim, são o mal necessário nº1!

Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
- Isolo-me. Inevitável. A busca do colo acaba por acontecer, mas a seu tempo. O que não quer dizer que não prefira o colo, mas antes dele, tenho de estar comigo.

Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
- Abstracta não sei, mas escolheria a extrovertida porque quase sempre estas têm os seus momentos introvertidos, enquanto que o contrário muito mais dificilmente acontece.

Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
- Não, felizmente não há insatisfação além do desejável. Vai havendo aquela q b que também serve de motivação...


Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
- Mais crítico. Mas silencioso. A crítica que sou levado a fazer serve-me muitas vezes de lição, então "calo-a". Se ao menos ela fosse entendida...

Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
- Paciente. Quando é demais ou começa para mim a ser demais, retiro-me. Facilmente a minha felicidade é a de quem me rodeia. Porém, perante incompatibilidades, prefiro e opto por recolher, em função de abdicarem de algo por mim. Se assim não fôr, pode mesmo ir-se parte da minha paz.

Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
- "Sê sincero"... Só sei assim, não é preciso pedir...
Não, não desejo mal.

Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
- Não. Cometo até a imprudência de me esquecer onde estou sempre que tenho vontade de abraçar, beijar, whatever.

Questão 12. Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
- Difícil um orgulhoso não ser teimoso... Mas não sendo assiiiiiiiim tão teimoso quanto isso, talvez o lado orgulhoso seja ligeiramente mais acentuado.

Questão 13: Casamentos homosexuais e direito à adopção?
- Nada contra a felicidade.


Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
O mesmo que me fez criá-lo; a paixão pela escrita e pela leitura.


Questão 15: O número de visitas e comentários influencía o teu blogue?
- Sem dúvida. Tendo em conta as relações que se estabelecem. Há "cantinhos" dos quais aguardo novidades com alguma expectativa, todavia, isso não me limita ou precipita em acções no blogue.

Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
- Não seria blogosfera, essa. Seria uma outra coisa qualquer... Como tal, "em equipa que vence não se mexe"!

Questão 17: Deviam haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
- E já não há?! Há que eu sei. Já li por aí sobre Blind Dates que afinal não o foram... Como sugeriu a Nirvana, um encontro "mascarado" nos moldes de um baile, almoço ou jantar, principalmente se o encontro visasse juntar bloguistas que pretendessem manter o anonimato. Mas haverá formas de juntar bloguistas de forma anónima, sem que se tenha de envergar máscara. Por outro lado, esta interacção entre "desconhecidos", assim sem encontros pessoais, também tem uma magia bastante interessante!

Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
- Não sei ser de outra forma!

Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
- Pensar que não tenho defeitos maiores. Se fosse capaz de os identificar, já não os teria...

Questão 20: Em que aspectos te elogiam e /ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
- Na incontornável boa disposição. Houve já amigos que me sugeriram participar em castings de stand up. Também já houve quem me dissesse que depois de "ouvir" profiro a palavra certa. Quero acreditar que é verdade, para bem de quem a ouve...

Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, qual escolherias?
- O computador. Através dele teria praticamente os outros dois disponíveis.

Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
- Elogio.

Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
- Tenho. Não me custa minimamente pedir desculpa quando procedo mal.

Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
- Só uma pessoa sensível sabe quando tem de ser pragmática. Sou ambos.

Questão 25: Perdoas com facilidade?
- Quando constato o pedido sincero, franco. Aquele que reparo sair só das cordas vocais, nem pedido chego a considerar.

Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
- O sofrimento dos que amo. E uma morte que me chegue lenta e dolorosa. Por mim e pela dor dos que me possam amar.



É parte integrante deste prémio, a visita aos seguintes blogues:

http://emcadadespedida.blogspot.com/

http://contrapobreza.blogspot.com/

http://meumundomeuarcoiris.blogspot.com/



Finalmente passar este desafio a dez blogues. Ora então:

Laranja no Preto

Na vassoura da bruxa

Diário da tua ausência

BOUTIQUE DOS SONHOS

Sabor Adocicado*

Something Special

The girl with purple tights

minutos na noite

O efeito do Mar

As minhas pequenas coisas


Divirtam-se!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Hai(de)ti

Há milhares em desgraça
E na praça, que se tornou o exterior do Haiti,
Falam lágrimas e cala-se o sorriso. Esse bem que é preciso buscar.

Que Sol és tu, tão superior, que permites esconder teu fulgor, pela nuvem negra ,
que te devia ser inferior?
Inspiro agora o pó, que foi prédio.
Onde o meu trabalho era um tédio, feliz.
O que é que eu fiz…? Amaldiçoei o meu dia…
Chamava tristeza à alegria,
Mas não temia o vazio, no prato.
E que horrível retrato é este? – Ele não come, não dá para todos, e tu, ainda anteontem comeste, controla bem essa mágoa. E olha que também não há água, controla lá essa sede.

Maldita teia gigante, que nos prende nesta rede…

Onde todos somos um Ai…
De mim, ai de ti, que será de nós…?

O Mal, em Dó Menor

Chega-me como música, grande parte da inimputabilidade que se "discute" por aí.

É do conhecimento publico que os advogados só representam inocentes. Quando estão do lado da acusação, está visto que sim porque… Aquando do outro lado, pois então? – Alguém defende um culpado?!

Até porque todos estão inocentes, enquanto não se provar o contrário. Que bem o diga Nicolas Bento, muito recentemente, que teve uma acusação convicta, e uma ainda mais convicta equipa de "advogados" de defesa, a sua familia pois então?! Só que nenhum membro dela fazia parte da… "Ordem", mas o dinheiro compra tudo, mais do que a mentira, há ainda casos, felizmente, em que também compra a verdade. E depois de uns €uros sacrificadamente reunidos (uma das irmãs do Nicolas chegou a trabalhar 15 horas por dia para juntar dinheiro para a defesa do irmão!), lá houve um famoso inglês da dita "Ordem" que disse que sim. Primeiro aos €uros, depois à inocencia de Bento!

E os maluquinhos, esses coitados, que só lhes dá para fazer o bem? Que sabem distinguir primorosamente o que é dor do que é prazer, a fome e a sede? Canso-me de os ver por aí, numa ajuda incansável aos Séniores, mandando parar carros para que estes possam atravessar a rua. Indo entregar nos balcões de informação dos nossos Centros Comerciais, aquelas crianças que se perdem dos pais. Auxiliando os invisuais da nossa praça, naquela barreira mais complicada. Impedindo o assalto “X”, de que estava a ser vitima uma tal jovem.
Depois aparecem uns inconscientes desmedidos que querem empurrar esta nobre maluquice para as prisões deste país. São eles os familiares destes Séniores, os também familiares das tais criancinhas que se perdem, ainda os dos invisuais auxiliados, e os pais da jovem! Em alguns casos, o próprio Ministério Público chega a colocar a mão, mas este último, é sabido também, tem pouca influência e (praticamente) nenhum peso nas sentenças.
O que me descansa, é que aparece sempre alguém da "Ordem" (deve ser de uma outra ordem), que consegue provar que estes maluquinhos não sabem o que fazem, que fazem o Bem inconscientemente, não podendo ser levados a sério por isso. Como tal, um simples internamento será pena justa, para outra pena, muita pena de alguém.

Mas acho muito bem que assim seja. Que se reservem as prisões para os que andam por aí a matar os próprios pais, cortando-lhes a cabeça. Para os que andam de faca no carro com que depois assassinam a namorada. Ou de saco plástico em riste, que isto do oxigénio qualquer dia não dá para todos!

Eu já garanti a minha inimputabilidade, para quando me chegar a hora do Juízo! Há uns meses que tomo medicação.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

em BELEZA me

Desafio "Beleza" - Fábrica de Letras

A beleza,
Poderá estar nos teus olhos, nos teus ouvidos.
Na tua língua e pele.
No teu naríz.

Sentes este odor? – aromaamora, romaamor?
E o meu toque, arrepia? – a tua língua, o que diria, se me saboreasse o beijo?
E a minha voz, encanta? – sentes um nó na garganta? (e o teu olhar, é de desejo?)

Belo,
 É sermos mais que existirmos.
É a perfeição do ente.
É sentirem o que sentirmos,
É sentir de alguém o que nos sente.




sexta-feira, janeiro 01, 2010

Unidade de medida

Sorriso - Distância mais curta entre duas pessoas.

O meu não mudou. Não pode. Nenhum sorriso muda para melhor.

Mas encurtei-lhe o quando! Porque o de um puxa o de outro, e o de cada um atrai o seu próprio.

Numa realidade onde um acto nosso é uma falha para alguém, cedamos, sorrindo. Partilhemos a razão, não abdicando dela, no todo que nunca é, mas na quota parte em que ela não nos assiste. Não queiramos para cada um o que sempre será de todos. Saibamos dividir o que mais custa partilhar. Ninguém necessitará reclamar parte de uma coisa, se também ninguém a assumir apenas sua!

Um sorriso, jamais obedece a uma ordem. Porém, a ordem brotará de um sorriso!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Melhor do ano

Não precisei correr. Esteve (quase) sempre aqui ao lado.
O Culpado? - Este senhor.
Ele assim se proclama e eu não discuto; por esta obra-prima, penso que ninguém se importaria de o ser.

Deixo-vos com aquele que elegi como melhor texto de 2009.

Cedido pelo seu autor – CybeRider – e extraído do seu blogue – Outra na ferradura.

Agora… Deleitem-se!



Disfunção eréctil

Há quem também lhe chame falta de inspiração.

Olhamos para esta folha em branco e ficamos a pensar se algum dia voltaremos a conseguir preenchê-la, com aquelas ideias luminosas de antigamente.

Há maneiras fáceis. O recurso à pornografia pode ser uma. Podemos pegar num matutino (leia-se televisão, rádio, internet) e agarrar a via imediata da crítica aos políticos, aos jornalistas, aos comentadores. Pode falar-se de futebol, de Fátima, do fado...

Mas quando se pretende um desempenho perfeito, há que ter em conta os preliminares que nos conduzem com mais segurança ao ambicionado êxtase. Há que acariciar cada curva de cada palavra, passar a língua pelos conceitos mais audazes, beijar cada concavidade do imaginário, vibrar com cada metáfora que arrebita, gemer com as hipérboles menos óbvias. Há que gostar do paladar do suor que brota da refega... (Sentem?... O palpitar destas reticências?...)

Não será de seguir o trilho de imaginar o "como" do funcionamento da coisa. Quanto mais pensarmos "como" vai acontecer, mais depressa nos iremos deparar com a inibição, com o fracasso, com a desilusão de constatarmos que, afinal, já não é como dantes.

Tem que ser incontrolável, inexplicável, irracional mas simultaneamente consciente. Uma força anímica que não se comanda nem se compreende. Que existe, e pronto!

Quanto mais racionalizarmos a possibilidade de vir a acontecer ou não, mais somos levados a práticas onanísticas que só dificultam as coisas. Pensamos nos assuntos, gastamos os temas antes de os transpormos para aqui, e concluímos que à altura de tentarmos brilhar com o nosso desempenho, já nos falta a motivação que queimámos egoisticamente.

A leitura do que os outros escrevem transforma-se nas imagens e sons indecorosos e imorais que nos apaga a libidinosa veia literária e, quanto maior a qualidade do que lemos, mais dúvidas teremos de que o nosso desempenho venha a estar à altura.

É aqui que admiro o gigolo, que consegue a performance desde que lhe paguem. É que, comigo, nem que me paguem a coisa resulta!...

Não sei como é num cérebro feminino. No meu funciona de facto num paralelismo atroz. Quanto mais pensar nisso menos hipóteses terei de sucesso. Sei, por aprendizagem e constatação, que há-de vir o dia em que tudo se normaliza, em que conseguirei o tema orgástico que fará de mim o herói da noite; aos meus olhos, pelo menos.

É a angústia de não lhe saber o"quando" que me atormenta.

Por fim fica-me sempre a dúvida. Sei que para alguns foi demais, para outros não chegou para começar. Inquieta-me a precocidade que resulta dessa ansiedade em provar que "posso".

E ainda não inventaram o Viagra de que preciso. Aquele que provoque aquela Tensão Uniforme Singularmente Agradável (TUSA) para as ideias que me faltam.


Resta-me desejar que tenha sido tão bom para vocês, como foi para mim.





© CybeRider - 2009

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Do_Comentário

Podem contribuir. Sempre que vos merecer algum.

Aprendi que é o melhor elogio. Mesmo que seja para maldizer. Encerra respeito pelo seu objecto alvo (nem sempre por quem publica!) porque, no mínimo, prova que houve tempo dispensado na sua leitura. Mas uma das ilações que mais tiro é sobre a mensagem que chega. O comentário é que nos informa o que transmitimos, efectivamente, mais do que a mensagem que queríamos que passasse.

Há-os de todos os géneros e feitios. Os publicitários eu… Não comento. E os que se pretendem ofensivos, insultuosos, até nem merecerão nenhum comentário, mas eu comento-os.

Alguns nem transportam opinião, que os vejo por aí, onde sem lhes ler nada, concluo que apenas pretendem informar que estiveram ali, e que leram, o que sem comentar, comentaram.

Eu chamo-lhes contribuições. Não serão? Não aprendemos com eles?

E aqueles que se excedem?! - Entram até no rol de candidatos a post, e alguns chegam a ser eleitos, passando a ser ambos, que também já os vi por aí.

Por isso agradeço os vossos, com aquele obrigado, a que vocês nunca serão.


Espero que os meus vos acrescentem valor, só vocês o saberão.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Amor nosso de cada dia nos dai hoje!

Desafio "Natal" - Fábrica de letras

Quero pão, querida mãe, já é Natal!
Ando por aqui de um jeito que Deus não quer.
Em 365 dias que passo muito mal,
Só há um, em que tenho a certeza que o há para comer.

Mãe, querem que eu fale de alegria, não de tristeza.
Que eu não exija o meu direito a um pão-de-bico!
Mas quantos temos de viver nesta pobreza,
Prá alimentar a vida, luxuosa, de um só rico?

Vou vivendo a cada dia com a esmola
Que outros pobres me vão dando, por piedade.
E sorriem, ao ouvir-me a viola,
Nesta minha terra, que não me ama, esta cidade.

Espero, mãe, que não demorem a mudar,
Esta política para uma de partilha.
Esta pobreza, extrema, tem de acabar,
Já não cabem mais pobres nesta matilha.

Ainda tinha mais assunto para escrever...
Será que nada, mãe, lhes dirá este meu mal?
Não saberão eles que para mudar basta fazer,
Que a cada dia se viva no Natal?!

quinta-feira, novembro 26, 2009

Diálogo incolor

Desafio Preto & Branco Fábrica de Letras

P. - Sabes, Branco, escolheria o Preto se me fosse perguntado que cor gostaria de ser, mesmo apesar de não saber o que é estar na pele de outras cores! 
B. – Queres explicar-te?...
P. – Claro. Não foi o que combinámos e que estamos a fazer, pôr o Preto no Branco, o que quer que isso seja?...
B. – Sim, de facto estamos a fazê-lo desde o “D” lá de cima, do titulo… Mas isso, por si só, não torna as coisas claras!
P. – Eu sei. Bem, eu e tu já falámos sobre isto, noutras folhas, Cinzentas como só nós as sabemos pintar, com as palavras organizadas de outra forma, eventualmente.
O que quero dizer é muito simples. Foi depositado em mim o fado. Também o luto, de grande parte do mundo. Eu sou a cor da tristeza, da solidão. Tu és o neutro que me dá sentido, nas vezes que a cor que sou o tem. Sou de resto a cor posta de lado, pela maior parte das outras cores. Que se servem de mim para se destacarem, num realce que as torna deusas, como se fosse só esse o bem que lhes posso fazer… esquecem-se que sou eu quem lá está, com elas, quando a noite se veste de dor, e as lágrimas que choram lhes esborratam as cores, dentro da cor que são.
B. – O que é que te levaria então a escolher essa mesma “pele”, se isso é ver os outros bem, num caminho que seria sempre paralelo à felicidade, como já é o teu, sem nunca lhe poder percorrer o trilho?
P. – Enganas-te, Branco, enganas-te. Se a felicidade é o caminho, não tem de haver nem haverá um só caminho onde se pode ser feliz. Aceitar a vida como ela se oferece, não é sinónimo de nos acomodarmos às situações. Eu serei feliz, sim, feliz, se me souber a contribuir, de que maneira for, para a felicidade alheia! Vejo demasiado egoísmo, por essas cores fora, mas se o confrontasse, eu não seria Preto.
V. – Oi, desculpem. Ups… parece que nos enganámos. Este não é o Diálogo colorido, pois não?
P. – Não, Vermelho. Este é o Diálogo incolor. Onde todos podem participar.
A. – Vocês desculpem, mas esperam por nós no Diálogo colorido. Anda Vermelho, não é de bom-tom chegar atrasado…
P. – Convidaram-te Branco, ouviste falar neste Diálogo?
B. – De facto não... Parece que afinal estamos em extremos que se tocam…
P. – Se a minha ausência proporciona felicidade, como não hei-de ser feliz? – Porque hei-de querer estar onde não me querem? – Fizeram de mim o primeiro passo, no caminho da sua felicidade. E condenaram-me, assim, a ser feliz, por eles!
É saber que se recebe, quando se dá!

DIÁLOGO INCOLOR
(P. Preto / B. Branco / V. Vermelho / A. Azul)

Gemini


terça-feira, novembro 17, 2009

Desafio


Nirvana desafiou-me e eu aceitei, claro. As condições para completar este desafio são:

1º - Seguir as regras.
- Há bem mais difíceis e eu também as cumpro...

2º - Levar o sêlo que identifica quem está, esteve ou estará no desafio.
- Estão a vê-lo? Aqui em cima? - Pois, é este.

3º - Completar as seguintes frases:
a) - Eu já... Amei!

b) - Eu nunca... Vou deixar de acreditar no Amor!

c) - Eu sei... Que é sempre mais feliz quem mais ama!

d) - Eu quero... Amar, amar perdidamente!

e) - Eu sonho... Encontrar alguém que complete estas frases, como eu as completo!

4º - Depois de completar as frases, indicar cinco blogues para darem seguimento ao desafio.
- Desta vez são estes:








sábado, novembro 07, 2009

Mente, Irreversível(mente)...

Dois mais dois é igual a quatro. Por enquanto…

Ou talvez se retirarmos as letras, se consiga ler melhor. Então cá vai:

2 + 2 = 4

Isto ensinaram-me ainda criança. Anexaram uns exemplos, com peças de fruta à mistura e tal, para comprovarem, e eu resolvi acreditar. Na altura, pensava para mim: "Se não for verdade, há-de vir a saber-se".
Tal como me disseram, ainda miúdo, que se caísse a um poço, morreria.
- Mantém-te longe dos poços – alertavam-me – olha que se caíres, não há nada a fazer, morres. - E quanto à morte, bem, quanto à morte meus amigos, depois de entender o que era, ainda criança, resolvi nunca facilitar, dentro do risco que já corro por ter nascido! Nem facilitar com a minha, nem com a dos outros. E aqui chego ao que gostaria de sublinhar.

Não me apazigua o facto de haver justiça prevista que se me aplique, no caso de num acesso de irresponsabilidade, os meus excessos ceifarem vida(s) alheia(s).

Já cometi os meus excessos… Agora que penso nisso… Mas na altura não o eram, para mim, claro. Ainda assim quando o foram, não colocaram terceiros em risco. Por vezes tento imaginar-me num cenário de culpado. E concluo que teria tudo menos paz comigo próprio. Concluo que nenhuma pena a que fosse condenado, faria justiça à minha culpa.

Se há algo que o tempo me tem ensinado a relevar, é a irreversibilidade de determinadas questões. E haverá algo mais sensível neste assunto do que a vida/morte? – Não me parece.

Por quanto tempo iremos nós comportarmo-nos desta forma? Desta forma egoísta que, em troca de algum prazer, como o é por exemplo a velocidade nas estradas, colhe vidas de pessoas que seguem o seu caminho dentro das regras?... Como pode alguém retirar prazer de lançar pedras desde os viadutos das auto-estradas, para partir pára-brisas, e ficar a ver a gincana, o conjunto de reflexos do condutor, para não se despistar?... E tantas, tantas outras situações…

Haverá pena que faça justiça a tamanhas barbáries?... Não pode haver…

domingo, outubro 25, 2009

Quando é que me serei?...

Per
fil
Hoje é verdade, amanhã é mentira. Depois muda(m-nos)!

Até ao ponto em que começaremos a ser o somatório de ambas.

Nunca será exacto, e a sua inexactidão, demorará uma vida a perfilar! É preciso ter-se consciência, de uma mutação constante! – É uma exposição muito perigosa, que poderá ser-nos madrasta…

Não estaremos sempre no mesmo ponto – lugar comum – não gostaremos sempre das mesmas coisas, toleraremos situações (para nosso pasmo) que jurámos dentro de nós, nunca tolerar. Aparece-nos o nunca, que nunca diríamos… Veremos beleza onde não víamos, mas principalmente, muito do que víamos belo, desencanta-se, em nós. Instala-se-nos o descrédito, no Homem, e eu pergunto-me para onde é que me dirijo?!

Se tenho a capacidade/possibilidade de me construir, porque haverei de me deixar destruir pelo descrédito nos/dos meus iguais? Foi para desacreditar que me cultivei? – Não! Não me acomodarei! Antes, serei a mudança que quero para o Mundo.

(Quase) todo o perfil, tristemente, almeja superiorizar-se a outro perfil. Numa competição feroz, traiçoeira e muitas vezes covarde. Se tal postura dificilmente se justificaria se da sobrevivência se tratasse, o que terá tanto valor, para "nos" espezinharmos desta forma?

Que bom que será ser-se melhor que outros, não por mérito próprio, (onde veríamos terceiros a reconhecer-nos qualidades) mas por intermédio do exercício de inferiorizar!

A água, não afoga a água, o ar, não sufoca o ar!

Perfil, perfil… Há quem não tenha para o ter!

quarta-feira, outubro 21, 2009

Labi(o)rinto de sensações...






Haverá outra parte de nós, que viva tamanha cumplicidade? – Talvez.

Superior, inferior. Só entre eles, é que o não são. Tão diferentes, aos nossos olhos! Gémeos, no sentir e agir! Beijam-se como nenhuns outros. A cada bocejo, cada suspiro, a cada palavra proferida. Num desabafo, festejo. Qualquer desculpa que os separa, justifica-lhes um reencontro singular, mágico, que exibem, orgulhosos, ao resto do corpo.

E se para um beijo são precisos no mínimo dois, é deles que falaremos. Dos nossos lábios, claro. A Natureza jurou-os parceiros, quais siameses, em fidelidade eterna. E se são lábios, beijam. Beijaram. Irão beijar.
O beijo começa entre eles, antes de tocarem uma face, uma mão, outros lábios. É também entre ambos que termina.

Um beijo é sempre verdadeiro. Mesmo o falso, porque se quer que seja. Ou porque não conseguiremos camuflar (nele) o que nos vai por dentro.

Há beijos que contêm tamanha felicidade, tão grande cumplicidade, que chegam a recrutar lágrimas, em auxílio do sentir. Depois haverá os das outras lágrimas, as que não queremos que venham…

Beijo – Principio, fim. O que desponta o sorriso, o que encerra a lágrima. O de ambos. Que interrompe a palavra, que a substitui quando lhe é superior, humildemente superior.

Poderemos definir um beijo? - Tenho comigo que ele se define, simplesmente, no momento em que o é.

Quem nunca beijou, sorrindo a tristeza?...
Quem nunca beijou, chorando a felicidade?...

Beijo… Provavelmente o inicio, eventualmente o fim!

sexta-feira, outubro 09, 2009

PSSIIUUU!!

Hoje faço seis meses!

Quero colinho...

terça-feira, setembro 29, 2009

Acorda, Bambi! *










A dormir. Era como andava. Com os seus olhos azuis abertos. De resto, a única coisa verdadeiramente clara na sua cabeça.

Saía cedo para o trabalho e tarde chegava, vindo dele. No início era o trabalho, que o afastava dela, que o afastava deles. Ela era a esposa de sonho, do dele, que todo o homem quer. Com umas costas largas, assim do tamanho da cama, aquela onde já mal se cruzavam. Ela compreendia-lhe o madrugar para o emprego. Coincidência ou não, a promoção tinha surgido com o casamento. Como num inicio quase tudo são rosas, o casamento também o é. Então ele pôde contar com o apoio dela, para se entregar de corpo e alma, mais de corpo, ao seu novo cargo. Ele sempre pudera contar com ela, mais do que ela com ele, durante o período de experiência que é o namoro, antes de assinarem o contrato que é o casamento. Um contrato onde se incluem de forma estranhamente consciente, clausulas que não se vão cumprir.
E durante muito tempo também lhe compreendeu o serão, para o trabalho. – Se fosse ao contrário, a posição deles, de certo que ele também compreenderia.
Mas o madrugar dele tornou-se mais pesado, mais difícil ao fim de uns tempos. Por consequência mais tardio. Foi na altura em que, para casa, levava cravado na roupa um intenso cheiro a tabaco e se deitava com um forte bafo a álcool. Isto veio a trazer-lhe solidão ao acordar. Na cama estava só ele de manhã, mas isto nada lhe disse. Durante meses, a hora de deitar dele foi o despertador dela. Até que chegou a noite, a primeira, em que já não se deitou naquela cama. A cama onde ele já não lhe iria despertar a dor.

Os serões de trabalho há muito que terminavam num bar. Ou noutro. Se nas primeiras vezes lhe era politicamente correcto acompanhar os novos colegas, da direcção da empresa, num copo social, agora era ele quem convidava. E em algumas ocasiões chegava mesmo a ir sozinho. Agora ainda mais. Porque a sua esposa, agora, já não era sua mulher.

Ela adora flores. Há quanto tempo não lhe ofereço flores?... – Pensou – O que tenho eu andado a fazer?...

Deu ordens à Secretária de Direcção para que encomendasse um belo ramo de rosas. Sabia ir ser difícil o perdão. Preparou-se para o não.

Chegou cedo a casa nesse dia. Mais cedo do que o cedo que seria se chegasse à hora normal de saída do emprego. A ansiedade canalizou-lhe toda a concentração para aquele momento. Não a encontrou no lar. Não só por aquele tecto já não o ser, mas porque ela não estava. Ainda a procurou, por todas as divisões, encontrou-lhe o telemóvel que concluiu esquecido. No instante em que lhe pegou sentiu um aperto dentro do peito. Algo lhe disse num segundo que haveria ali algo que não iria gostar de ver. Resistiu um minuto. Nunca se tinham feito nada parecido. Nunca houvera motivos para desconfiarem um do outro. Mas antes de desbloquear o teclado do aparelho, vislumbrou de relance, tal como tinha feito nessa tarde, o seu comportamento dos últimos meses. Não gostou do que viu na sua mente. Sabia que não ía gostar do que ía ver no celular.

Acedeu às mensagens, onde pôde ler um: " Às 16h e 30m, fofinha. Apanho-te às 16h e 30m. E reclamarei então o beijo que te dou agora. Até logo."

Sentou-se. Na cama onde nunca se deitaram juntos. Desapertou o nó da gravata. O da garganta não conseguiu desfazer. O seu comportamento vinha sendo inqualificável, mas não a traíra. Não com uma relação paralela, não com outra pessoa, outro amor.

Deixou tudo como encontrou. Iria sair sem que se notasse que havia estado em casa. Iria simular um regresso em tudo igual aos dos últimos meses. Em tudo menos no bafo a álcool e no odor do tabaco na roupa. Colocou-se estrategicamente para que, ao vê-la chegar, ela não o visse. Foram horas que pareceram dias. Mas ela chegou. Num carro de um ele que não conhecia. E viu um beijo de que já esquecera o sabor. Ela entrou em casa. Ele entrou em desespero.

Conduziu para longe. Dos bares, principalmente. Queria falar com ela sóbrio, mas com o sangue temperado. Não sabia se ele lhe gelava ou lhe fervia nas veias.

A luz da reserva acendeu. Atestou o depósito e seguiu para casa. Ela estava deitada, já. No quarto que fez só seu. Perante a falta de coragem para a acordar, recorreu à caneta e ao papel. Por vergonha. E deixou o bilhete na mesa da cozinha, bem junto ao ramo de rosas.

"Todo eu sou uma vergonha. Não te mereço, não sou digno de ti. É todo teu o direito ao divórcio. Dar-to-ei sem criar problemas porque vi no teu beijo desta tarde que é o que desejas e o melhor para ti.
Sê feliz, minha querida que não soube amar. Perdoa-me por me teres traído
."



*Pode interpretar-se o título como: “A corda bamba”.

sábado, setembro 26, 2009

More Than Words


Esta beleza foi oferta da Nirvana!


1 - Quem mais gostas de abraçar, no presente:
- Os meus irmãos.
2 - Quem nunca abraçarias:
- Quem nunca me abraçasse.
3 - A quem davas tudo para poder abraçar:
- À Guigui.
4 - A quem davas o teu melhor abraço:
- Só tenho esse, a quem me abraçar.
Só porque um gesto, tal como uma imagem, vale por mil palavras, ofereço este mimo à Carla. Porque às vezes é preciso!
OBRIGADO Nirvana!

quarta-feira, setembro 23, 2009

Ouvir... Dá que falar!








Assistia-lhe toda a razão. Sempre, leia-se. E por isso o que lhe chegava aos ouvidos nunca era escutado. Nem dos que lhe eram amigos. Os avisos deles, camuflados, muito menos. Enchia, como tal, os outros com a sua verdade, que assumia única. Não conhecia a humildade, não lhe cabia em todo o saber, apesar de tantas vezes, em tantos anos, os amigos o tentarem chamar a uma outra razão. Mas procurava-os, para que o ouvissem, invadido cegamente por uma auto-suficiência nada pedagógica, que paradoxalmente o empurrava para o convívio, para o contacto com outras pessoas.

- Então diz-nos lá, ó auto-suficiente, onde é que existes sózinho, – Perguntava-lhe o amigo de eleição, interrompendo muitas das suas oratórias – se passas o teu tempo numa busca incessante de ouvidos?
- Ora, falo para quem me quiser ouvir! – Ripostava, alheio de que era ele quem procurava receptor, nos que não buscavam nele emissor.
E chegou o dia em que os ouvidos dos amigos se fecharam, como os seus sempre estiveram, através do silêncio para com ele.
Foram vários os dias em que acompanhado pelos de sempre, se sentiu dolorosamente só. Procurou então o amigo, o de eleição, que lhe disse:
- Nunca nos ouviste as palavras, numa razão que anda a par com a tua, afinal estamos a comportar-nos como querias, sinceramente não sei de que te queixas. Mas vai pensando, ó sábio, agora que estranhas o silêncio que exigias, que talvez a ausência de argumento faça maior prova de razão.

E foi esse o seu primeiro dia, em que com duas orelhas e apenas uma boca, começou a ouvir mais e a falar menos.

sábado, setembro 12, 2009

O Texto Sentido



Retirou os rascunhos do cesto. Temeu que ele os visse e lhe descobrisse a intenção. Concluíra que ainda não era hora, e, assim-como-assim, o original estava já devidamente guardado, para quando se lhe tornasse oportuno.
Os dias, há já muitos dias, que se lhe acabavam de forma precoce. Havia ainda luz, em muitos deles, quando naquele verão, se começou a retirar para o quarto, no que ele sofria ser, não o desenho do início do fim, antes os retoques, os finais, num quadro que há muito se pintava.
O jantar, o dessa noite, preparado em comum, partilhou também silêncio. Mais um silêncio. Afinal o mesmo, o que esse Verão lhes trouxera. Ele encarregou-se da louça, como fazia todas as noites. Haviam acordado assim, uns anos antes, na Primavera do seu amor; - Eu passarei a ferro, tu ficarás com a louça, aceitas? – Questionara-lhe. Ele aceitara prontamente; - Sim, aceito – Tal como num outro dia, num casamento simulado, sem padrinhos nem convidados, também a aceitara.
Adormeceu no sofá nessa noite, em frente à televisão. Já não sentia o quarto seu. Ainda assim, não iria deixar de se deitar ao lado dela. Não, não iria. No percurso para o leito, um copo de água na cozinha, quase lhe afogou a pouca coragem, que ainda tinha, para abrir a porta. Ela dormia. Tão ali, tão longe. - Talvez estivesse onde passava os dias. Com quem passava os dias, imaginou.
Ali deitado, tão próximos, o sono não lhe chegava. Ele precisava de saber o que os afastava. Ela não falava sobre isso. Na última conversa deles, ela dissera-lhe que era uma fase – Todos os casais as têm, certo? – Talvez, mas que interessavam os outros casais?...
Por isso levantou-se. E quis escrever. Ele escrevia. Só para si, escrevia. Versos tristes, ultimamente. E lembrou-se dos tempos em que os escreveu alegres, felizes. Esses versos que lhes foram os dias.
Algo nos seus sentidos, em todos eles, mais no sexto, talvez, lhe disse que a resposta, à crise deles, poderia estar junto daqueles versos; Os alegres, os felizes. Foi então ao escritório para reler essa felicidade, distante, que se encontrava agora fechada, atrofiada numa gaveta. Abriu-a. E tirou folhas, debaixo de folhas que estavam por baixo de folhas. E dentro da noite, já madrugada, deixou-se conduzir pelos escritos. Cada poema a um momento, devorado também, intensamente.
Mas uma das folhas não trouxe a sua letra. Trouxe-lhe um branco, o que isso possa ser, um frio ao corpo que lhe gelou as veias, que as ía congelando, à medida da leitura.
Só quando terminou de ler é que viu uma mancha, na mancha que era aquele texto. A lágrima, que nem se apercebera que caíra, havia borratado aquele texto, texto que acabara de lhe borratar o futuro. O texto chorava.
Pousou a folha. Na varanda esperava-o um cigarro. Depois outro. E ainda um terceiro, durante o qual decidiu que era tempo de fazer as malas.

Voltaria, durante a ausência dela, para recolher os seus pertences. Por ora levaria apenas alguma roupa, a suficiente para uns dias.

Tudo estava já no carro. Do mais importante, faltava apenas ele, lá. Resolveu fazer suas as palavras dela, daquele texto, e depois de assinar, colou a folha no espelho da casa de banho, onde ela o veria, no lugar do reflexo da sua cara. Ou talvez para lhe fazer ver que, afinal, aquelas palavras, iriam ser sempre para ele, de em diante, a cara que lhe veria!


"Talvez seja covardia minha. Se não encontrei outra forma, serei covarde sim. É-me menos difícil assim, e assumi menos difícil também para nós, assim, por escrito. Porque não soluço, assim. Porque não nos vemos as lágrimas, assim. Porque assim não verás as palavras que corrigi, antes de concluir que estas serão as menos erradas, as menos dolorosas. Porque todas as palavras seriam dolorosas, resistiram estas. Porque se falasse, estaria falado e a correcção do que se fala, nunca o é totalmente. Porque se falasse, elas, as palavras, me trairiam, me abandonariam a uma sorte muda.
Não querido, não entrou outra pessoa na minha vida, no meu coração. A minha vida és tu, há tanto, tanto tempo. Há tanto tempo, ou tão intensamente, que me esqueci que tenho uma, que tinha uma. Fizeste-me sair de mim, sem que o notasse, sem que o pedisses ou quisesses. E vivi a tua, tenho vivido a tua numa nossa vida. E foi bom, durante o tempo que não senti saudades minhas. E agora sei que a quero recuperar. No ponto onde deixei de ser só eu. No ponto onde me sentia insegura, antes de ti, antes de amar-te. E o meu amor por ti, ainda que possas não acreditar, aumenta, a cada dia, aumenta. E acovarda-me o receio de um fim, vindo de ti. Falta-me a confiança num "nós" eterno, na nossa mortal eternidade. Por isso parto, meu querido. Porque não posso amar-te mais, para que possa amar-te para sempre! E quero muito, querido, eu quero muito e vou, sim, vou amar-te no meu sempre."

quinta-feira, setembro 10, 2009

O Inte louco tual

Pois se um burro não se pode passar por inteligente, já o contrário será perfeitamente possível!
Então, quantos burros andarão por aí que não o são, por simplesmente se camuflarem?

E certos géneros de loucura? Não poderão estar no mesmo nível?

Não sei se sei de que lado vos "falo". Se do lado do louco, se do outro extremo. Julgo que sempre estive do mesmo lado, por isso, sem termo de comparação, torna-se difícil localizar-me com precisão. Adiante, que não há nada de especial para ler e o tempo escasseia.

Inteligência será, porventura, mais do que ter respostas, ter perguntas! Será a busca a que a pergunta obriga, que mexe com o saber. Não propriamente a resposta em si (correcta ou não). Muitas terão sido as vezes, em que a resposta a uma determinada pergunta, foi considerada correcta, algumas durante séculos, para posteriormente se constatar que afinal… Não era.
Em alguns casos, a constatação de que algo tido como adquirido era falso, ter-se-á dado de uma forma natural. Flagrante, talvez. Por outro lado, terá sido a permanente interrogação em relação à veracidade de outras, que terá ajudado a que se tenha feito luz. Ainda ajudará.
O "só sei que nada sei", terá aparecido algures no meio de muitas perguntas, de muitas buscas de respostas, digo eu!

Sou da mesma opinião dos que consideram que a inteligência pode até prejudicar a própria saúde. Alguns defenderão que ao prejudicar a saúde, já não será inteligência, eu não concordo com esta teoria. Penso que a sensibilidade é característica apenas das pessoas inteligentes e que será precisamente o "elo menos forte" do cérebro. Às vezes quebra e nestes casos poderá deixar fluir a sanidade. É simplesmente uma opinião, vale-o-que-vale, portanto, deve valer alguma coisa (digo eu, outra vez).

- Coitado, "era" um cérebro. Se calhar por isso é que deu em doido!
- Foi do estudo. Era tão inteligente! Passava a vida a estudar, acabou assim.
- Olha, os matemáticos têm todos pancada! (esta então!!!)
- (…)

Umas quantas expressões conhecidas, que associam (alguma) inteligência à loucura, à insanidade. Hipoteticamente, alguns casos em que o elo que refiro terá cedido.

Talvez a loucura seja o clímax da inteligência!

Fico-me por aqui, que tenho consulta de psiquiatria agora.

(E não me lembro se vou consultar ou ser consultado…)

segunda-feira, agosto 31, 2009

A Porta

Isto a que chamamos vida corrige-se, muito além dum destino, dum karma, dum desespero, dum pessimismo extremo qualquer. Acredito simplesmente que há coisas que acontecem e pessoas que se conhecem no tempo e no espaço certos e, muito importante também, fora deles! Fará por isso toda a diferença, estar à hora certa no lugar devido.
Isto a que chamamos vida, está repleto de pessoas belas, boas! Simplesmente porque a pessoa X, que para fulano reúne todos os requisitos de um/a deus/a da felicidade, para mim é uma pessoa, apenas tão "maravilhosa" quanto eu. E a pessoa que passa completamente despercebida, ou que não desperta a mínima atenção, a esse fulano, será para mim, isso mesmo… a que a X lhe é.

Canta um fado de Coimbra que:

Um amor para ser amor
Tem de durar a vida inteira
Quem ama a segunda vez
Não amou bem da primeira

E o Óscar Wilde disse que "a diferença no objecto do amor, não altera a integridade da paixão, só lhe confere mais intensidade."
Por isso, pode muito bem amar-se só uma vez! Pode é demorar a perceber-se quando é que se ama. Pode pensar-se que se ama e afinal não. Contra mim falo, que (muito felizmente) sou leigo na matéria. Ainda assim opino, que se lixe!

O amor não fecha portas. Jamais. O amor abre-as, que é precisamente o oposto! Porque não somos correspondidos, acaba o mundo? – Não! - Assumo eu. Só quem ama (verdadeiramente), saberá o quanto de bom tem para partilhar com o tal objecto do amor! Então, a haver alguém "prejudicado", este será o que, por não corresponder no sentimento, deixa de receber o que quem o ama tem para oferecer. Mas se afinal não corresponde no sentimento, estará a perder alguma coisa? Terá olhos para perceber isso? Poderá alguém sentir a falta de algo ou de alguma pessoa de quem não precisa? Que acalme os que não correspondidos amam, a paz do que sentem. Porque isso é seu! Mais do que isso ser o que sentem, isso é o que são. É como são. E não nos devemos permitir que uma pessoa que não corresponde ao que sentimos, exerça em nós influência suficiente (ainda que sem saber), que nos faça alterar a essência. A nossa essência!
O amor não fecha portas, nós é que devemos fechar. Mas não é ao amor. É sim, à pessoa que não nos ama. Tendemos a confundir…

Então, eu não vou amar de novo. Vou sim, amar do mesmo modo, ou mais profundo, outra pessoa. Porque haveria de ser o meu amor diferente, menos intenso, para esta, se também me amar, do que foi o que senti pela outra, que nunca me amou?

Tenho andado nos lugares certos, dentro de horas… em breve concluirei se mais vezes assim serão, ou se coisas hão-de acontecer fora deles e delas. Uma é certa; a minha porta está aberta. Se duvidas tivesse, o coração confirmou-me. Vou apenas desejar (em tempo algum pedir-lhe) que entre. Vou desejar apenas que deseje entrar. Se lhe parecer bom, entrar.

Porque se lhe parecer bom, entrar, eu tentarei mostrar-lhe o bom que nos será, ela ter passado… A Porta!

O ciúme – Ou o pêssego negligenciado!

Analogia?! Nããããããã…

O ciúme é incrível, digo eu. E incompreensível também, para mim. Sinceramente, gostava muito que alguém me ajudasse a compreendê-lo. Ou não!

Ele existe! Está aqui a palavra; CIÚME – ci-ú-me.

Eu, por exemplo, quando acabo de comer um pêssego, não fico a roer o caroço. O caroço, em último caso, ajuda-me é a perceber que o pêssego acabou.
Coube-me a decisão de escolher um pêssego para comer. Coube-me principalmente, a tarefa de escolher aquele pêssego. Coube-me ainda, a responsabilidade de o conservar comestível. Se por algum motivo negligenciei atenção ao pêssego e ele se deteriorou, ficando para mim incomestível, a culpa é minha.

Contudo, o pêssego não pode escolher outra pessoa para o comer, mas ainda assim, se eventualmente alguém vier que o considere comestível e avançar para o repasto, mais uma vez a culpa terá sido minha. Primeiro porque deixei estragar o pêssego saudável como eu gosto de comer, depois porque, ao fazê-lo, o deixei num estado em que alguém não se incomodará de consumir! Depois, comodamente, covardemente, vou atribuir a culpa ao pêssego por se ter estragado, por não se ter sabido manter em boas condições de conservação, sozinho! Como resultado, irei ter ciúmes pelo facto de ter aparecido alguém que deu atenção ao meu pêssego, vendo-o naquele estado, que aos seus olhos está perfeitamente comestível!

Terei sido um fraco. Assumi que o meu pêssego estaria sempre ali (desculpem o termo), de perna aberta, sempre saudável, fresquinho, infinitamente à espera que eu abrisse os olhos e o comesse. E eu tranquilo… a comer umas uvas por ali, umas fatias de melão acolá. Às vezes quem sabe uma salada de fruta, além! De repente, quando me apercebo que nenhuma dessas frutas chega aos calcanhares do meu pêssego… é tarde. O pêssego pode até nem ser de mais ninguém, ou para mais ninguém, mas para mim, assim meu-meu, depois do trato que lhe dei?!… não será de certeza!

Pode até nem chegar a aparecer alguém para o comer, mas eu vou achar sempre que sim. Pois ao não estar no ponto para mim, estará por certo para outra pessoa… ele não irá impedir que eu o coma.
Mas uma coisa é certa… No estado em que o deixei, vai-lhe ser fácil, muito fácil mostrar-me que não me irá dar prazer nenhum comê-lo!

sexta-feira, agosto 21, 2009

Há cinco anos que assim é…

Todo o passado importa pelo presente que já foi. Todo o futuro se releva pelo presente que será. E o que fazemos nós do nosso agora, que no passado já foi futuro idealizado, e no futuro será passado, que não queremos doloroso?

Uma ligação telefónica foi estabelecida. O dever profissional encarregou-se dela. Do outro lado não atendeu o XPTO que se pretendia, atendeu um qualquer senhor José, que eu talvez não queira ser no futuro, e que estou em crer, aguardava que o erro (que também torna os profissionais humanos) conduzisse até si, não uma qualquer, mas aquela ligação telefónica.

A história é curta. A nossa conversa ao telefone não durou três minutos. Mas a imagem é infinita. Obriguei-me a isolar-me no final do telefonema. Precisei de ficar só por um bocado, para ser por breves momentos, aquele senhor José, que definitivamente não quero ser no futuro! Aquele senhor José que tantos outros senhores e senhoras são…

O senhor José nunca ouvira falar no XPTO que eu pretendia. O senhor José esqueceu-me ao pousar o auscultador. Eu jamais esquecerei os dias que vive o senhor José há cinco anos. Foi há cinco anos que ficou viúvo. Ao que parece, no dia em que enviuvou, os seus filhos terão ficado também órfãos de pai.

Eu tentei confortá-lo. Usando palavras que lhe pusessem algum sentido nos dias. Tenho de acreditar, neste momento, a cada "este momento" que me lembrar deste telefonema, que lhe levei algum Sol.

As palavras que usei, não importam. Qualquer um lhes faria o uso. Desejo profunda, sinceramente, é que nunca cheguemos a usar, as palavras que ele usou… É com essas que vos deixo.

(Quero apenas alertar-vos que o telefonema aconteceu por volta das 20h).

(Palavras do senhor José):
- Quem?! XPTO?! Nunca ouvi falar! Não meu senhor, aqui estou só eu. Venho cá a casa só para dormir. Os meus filhos puseram-me num lar, num “Centro de Dia”. Já há tempos que não ouço deles. Ando para aqui sozinho. Passo por lá o dia e venho a casa dormir. Fiquei viúvo há cinco anos e há cinco anos que assim é…

Desafio 1 - (Para mim deve ser)

Bem, recebi este prémio oferecido pela mimanora!


















Vamos lá ver se entendi as regras...

A 1ª seria mencionar quem ofereceu... Feito! Obrigado, Mimanora!

A 2ª oferecer a oito (8) pessoas... Vamos lá então:

(Este "mimo" foi também oferecido à Nirvana. E eu não lho irei oferecer apenas por isso, porque seria repetido. Se alguém me merece um prémio, é ela. Pela pessoa que é! Pelo que escreve. E afinal... Foi a primeira pessoa a acompanhar o meu cantinho. Um beijinho especial para ti, Nirvana!)

Ao CybeRider, ainda não encontrei escrita igual na Blogosfera! Esclarecida. Mensagens que nos faz chegar com mestria ímpar. Um abraço, Cybe!

Ao E..., escuso-me a grandes comentários! Este amigo saberá porque lhe ofereço o mimo.

À Pepita Chocolate, porque me leio muito nas suas palavras, principalmente nas Cartas que "nos" escreve! Um beijinho, Pepita.

À Mag, pelas estórias que nos conta, que podiam e podem ser histórias do dia-a-dia de todos nós! Um beijinho, Mag.

À Soraia, a quem espreito desde que me iniciei nestas andanças! Beijinho, Soraia.

Ao Mário Rodrigues, pela sabedoria que tanto gosto tem em partilhar connosco. Um abraço, Mário.

À SAYURI, porque escreve o coração. Ela escreve o coração! E musica-o de forma única!

À Peregrina. Penso que ainda não me conhece o cantinho mas eu conheço bem o dela. Ela e o seu "espacinho", bem merecem este "mimo".

E creio que a 3ª e última regra será avisar quem foi premiado. Vou tratar disso. Já volto!


(Haverá oportunidade para premiar todos os outros que acompanho).

sábado, agosto 08, 2009

Passeio & Companhia

Era dia de folga. O tão aguardado Day Off. Decidi reclamar a minha parte, dos raios daquele que dizem nascer para todos. Então, escolhi estar sozinho, fisicamente falando, claro. Enquanto colocava alguma mentira na cor da pele, dei por mim a pensar. (Penso que era pensar! Às vezes penso que ainda penso, e às tantas já não). Dei por mim, então, a pensar que pensava num sítio onde pudesse encontrar Pequenas Grandes Sensações. E encontrei! Tudo ali, bem perto de mim.

Fui até ao Recanto dos Suricates. Um local onde sabia encontrar
As Palavras... Serviram-me A cup of thoughts. Degustei calma e demoradamente. Que prazer enorme!
Mais tarde, espreitei a vitrina. Entre o que ela me oferecia, resolvi experimentar o Queque de chocolate. Sem comentários… Dizem que a vida se deve viver assim, Um dia de cada vez, e é o que faço. Agora mais do que nunca.

Olhei a rua. Pude ver a CASA DE ALTERNE. Aconselho a visita. Um espaço aberto a tudo. Ao lado, tinham erguido O Palanque dos Indignados. Podia ouvir-se o Cabra de Serviço, lá de cima, completamente À Nora, tentando chamar a atenção dos transeuntes. Dizia ele, do alto, que a coisa está negra no país. Alertava-nos para, nas próximas legislativas, termos cuidado antes de votarmos. Que talvez nos seja pior se colocarmos o partido Laranja no Preto que está Portugal.

O tempo foi passando e eu não dei por ele. Quando olhei o relógio, eram 20h 30m. Eu tinha de estar às nove no meu blogue e saí. Prometendo voltar, mas não deixando de sentir,
Um Contentamento Descontente
.

No final do meu dia, reparei que me tinha saído este texto. Eu sei… Fraca, a escrita. Mas se em tudo na vida, por que não posso também na escrita, dar uma no Cravo, e Outra na ferradura?...
E assim vos deixo os Pedaços de um Caminho, que percorri na minha folga. Sentimentos Em Rima, que não sei escrever... De outra forma!

As próprias palavras, já me sugeriram que mais vezes me "calasse".

Perdoem-me, i blog you please!


Este texto apresenta-se, porque irá haver muitos “hoje”, que já não trarão um “amanhã”. Então publiquei. Antes que o tempo me roube a vida, e para que possas saber que, ao roubar-ma, não levará estas, que são, afinal, Cartas para ti.

quinta-feira, agosto 06, 2009

It´s only words, and words are all i have to...

Não se me acabaram as palavras. Afinal, aqui estão elas. Mas que palavras são estas, que me pergunto que palavras são?

- Que palavras somos nós, que te perguntas que palavras somos?!! Estás bem?
Tu é que pediste…

Somos-te, Gemini! Não te confundas na procura... É em nós que estás, é em nós que és. Sozinho ou não. És quem és através de nós, ponto!

O que são sem nós as tuas acções? Ou todas as tuas acções, não serão afinal… Nós?
Antecipamos-te o movimento, a atitude. A postura. Mais do que à acção, conduzimos-te à opção, quando nos calas, bem dentro de ti, onde quase sempre nos ouves melhor.

É em nós que é possível dares-te a conhecer. Aos Mundos. Como se o quisessem. Mas a culpa nem é tua. Ao condenarem-te à vida, a esta tua vida, todas aquelas circunstâncias, condenaram algumas pessoas, felizmente poucas, a interagir contigo. Tal como és, que nunca és outro, apenas ocultas parte de ti quando não te podes revelar no todo. E sim Gemini, por que tu és fraco, és quase humano mas mais fraco, e portanto melhor, gostas das pessoas e acreditas nelas. Mas como só gostas e acreditas nas que são pessoas, poupas-te a desilusões. Poupares-te a desilusões… Fraco. És um fraco.

É por nós que agradeces às pessoas, a possibilidade de as amares. Nós estamos em tudo o que possas fazer para o demonstrar. É por nós que tantas vezes elas, essas pessoas, estão contigo no prazer e dor. E é por nós, palavras, que agradeces outras, palavras, que te são oferecidas.

Atenta no modo como te colocas, para contigo, por ser o mesmo modo em que nos colocas. Preocupa-te no para contigo que todos e tudo estarão salvaguardados.

Quantas vezes já te fomos, seremos ainda, as lágrimas e o sorriso?


Gemini, Gemini… Que calasses, às vezes, mais vezes. Estarias ainda assim a dizer tanta asneira!

E só nós sabemos quanta te falta ainda calar e dizer.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Nasceu flor. Baptizaram-na Margarida.

Ela é(ra) vida. Ela é(ra) sorriso. Porque o seu bem era o bem dos outros, apenas lhe morreu o corpo.

Margarida, um coração do tamanho do mundo. Um peito puro, belo, onde todos os que queriam podiam morar. Margarida abrigava tudo no seu peito, principalmente a sua dor, para que não lhe fosse maior, se visse sofrer com ela, os amigos que tanto, tanto amava.

Um dia abrigou um ser no seu peito. Um ser mau demais para o peito puro da Margarida. E esse ser viu-lhe a pureza e qui-la, à Margarida, só para ele. E a Margarida, de bondade, deu-lhe parte, não sem dor, sem muita dor, do seu peito. Deu-lhe um seio. Mas o ser queria mais da Margarida. Queria-a toda e, já senhor de um seu seio, deixou-se no seu seio ficar. Ciumento, foi-lhe fazendo mal ao corpo, por dentro, até que ela fosse só sua. Margarida, para que nós não sofrêssemos a dor dela, deu-se, de corpo, a esse ser.

No dia 01 de Agosto de 2009, o corpo da Margarida morreu e nunca me morrera o corpo de alguém tão querido.

- Pediste-nos para não chorarmos, Guigui, se não o (con)vencesses, mas eu choro. Choro muito, minha querida, porque não consigo conter este egoísmo, de pensar no mal que me fará a distância do teu sorriso, a saudade já tão grande da tua voz. E, minha linda, porque fraco tenho de chorar, construo com as minhas lágrimas, os degraus da escada onde já te vejo subir. A escada que te vai levar onde irás esperar mim. Resta-me a esperança, pelo teu exemplo, de na desgraça, se vier, ter no fim ainda forças, suficientes o bastante para chegar à morte. Que morra, que não me fique a morrer!
Ficarei mais pobre, Guigui, ficarei o miserável que a ausência da tua companhia física fará de mim. Não muito porém, pelo todo suficiente que partilhámos. Pelo todo infinito bem que estarei sempre a receber de ti, que te escolhi para irmã.

Ó minha flor, vais estar comigo como sempre estiveste. Prometo que vou continuar a conversar contigo, e a tentar vencer com um sorriso, as saudades do teu sorriso. Até breve minha querida, minha amiga doce, minha confidente que me levas os segredos. Amo-te, Guigui, para todo o (meu) sempre.


Ó minha flor que nasceste Margarida
Que encerras em ti todo um jardim
Tu que tens vida para além da vida
Eterna serás, ó querida, dentro de mim.


A minha querida amiga Margarida, venceu muitas batalhas. Não as suficientes para ganhar a guerra, na sua luta contra o cancro da mama.

30/09/1968 – 01/08/2009