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sexta-feira, janeiro 01, 2010

Unidade de medida

Sorriso - Distância mais curta entre duas pessoas.

O meu não mudou. Não pode. Nenhum sorriso muda para melhor.

Mas encurtei-lhe o quando! Porque o de um puxa o de outro, e o de cada um atrai o seu próprio.

Numa realidade onde um acto nosso é uma falha para alguém, cedamos, sorrindo. Partilhemos a razão, não abdicando dela, no todo que nunca é, mas na quota parte em que ela não nos assiste. Não queiramos para cada um o que sempre será de todos. Saibamos dividir o que mais custa partilhar. Ninguém necessitará reclamar parte de uma coisa, se também ninguém a assumir apenas sua!

Um sorriso, jamais obedece a uma ordem. Porém, a ordem brotará de um sorriso!

segunda-feira, agosto 31, 2009

A Porta

Isto a que chamamos vida corrige-se, muito além dum destino, dum karma, dum desespero, dum pessimismo extremo qualquer. Acredito simplesmente que há coisas que acontecem e pessoas que se conhecem no tempo e no espaço certos e, muito importante também, fora deles! Fará por isso toda a diferença, estar à hora certa no lugar devido.
Isto a que chamamos vida, está repleto de pessoas belas, boas! Simplesmente porque a pessoa X, que para fulano reúne todos os requisitos de um/a deus/a da felicidade, para mim é uma pessoa, apenas tão "maravilhosa" quanto eu. E a pessoa que passa completamente despercebida, ou que não desperta a mínima atenção, a esse fulano, será para mim, isso mesmo… a que a X lhe é.

Canta um fado de Coimbra que:

Um amor para ser amor
Tem de durar a vida inteira
Quem ama a segunda vez
Não amou bem da primeira

E o Óscar Wilde disse que "a diferença no objecto do amor, não altera a integridade da paixão, só lhe confere mais intensidade."
Por isso, pode muito bem amar-se só uma vez! Pode é demorar a perceber-se quando é que se ama. Pode pensar-se que se ama e afinal não. Contra mim falo, que (muito felizmente) sou leigo na matéria. Ainda assim opino, que se lixe!

O amor não fecha portas. Jamais. O amor abre-as, que é precisamente o oposto! Porque não somos correspondidos, acaba o mundo? – Não! - Assumo eu. Só quem ama (verdadeiramente), saberá o quanto de bom tem para partilhar com o tal objecto do amor! Então, a haver alguém "prejudicado", este será o que, por não corresponder no sentimento, deixa de receber o que quem o ama tem para oferecer. Mas se afinal não corresponde no sentimento, estará a perder alguma coisa? Terá olhos para perceber isso? Poderá alguém sentir a falta de algo ou de alguma pessoa de quem não precisa? Que acalme os que não correspondidos amam, a paz do que sentem. Porque isso é seu! Mais do que isso ser o que sentem, isso é o que são. É como são. E não nos devemos permitir que uma pessoa que não corresponde ao que sentimos, exerça em nós influência suficiente (ainda que sem saber), que nos faça alterar a essência. A nossa essência!
O amor não fecha portas, nós é que devemos fechar. Mas não é ao amor. É sim, à pessoa que não nos ama. Tendemos a confundir…

Então, eu não vou amar de novo. Vou sim, amar do mesmo modo, ou mais profundo, outra pessoa. Porque haveria de ser o meu amor diferente, menos intenso, para esta, se também me amar, do que foi o que senti pela outra, que nunca me amou?

Tenho andado nos lugares certos, dentro de horas… em breve concluirei se mais vezes assim serão, ou se coisas hão-de acontecer fora deles e delas. Uma é certa; a minha porta está aberta. Se duvidas tivesse, o coração confirmou-me. Vou apenas desejar (em tempo algum pedir-lhe) que entre. Vou desejar apenas que deseje entrar. Se lhe parecer bom, entrar.

Porque se lhe parecer bom, entrar, eu tentarei mostrar-lhe o bom que nos será, ela ter passado… A Porta!

sexta-feira, maio 15, 2009

Sou Infeliz, felizmente!



Cada dia é uma hipótese de uma outra vida, de uma nova vida. Como se o adormecer fosse o morrer e o acordar, a cada manhã, fosse o nascer, bem entendido. Mas já lá iremos.
Não se trata de questionar, o grau de felicidade com que vivemos. Há muitas pessoas que podem afirmar que são felizes. Que os seus dias, desde o acordar até ao adormecer, são recheados de momentos, que não causam qualquer motivo para desejar não ter acordado nessa manhã. E que as suas noites, são preenchidas, desde o encosto da cabeça na almofada até ao acordar, pelo relaxe total e sereno. E que neste período, são apenas visitadas pelo sonho e nunca pelo pesadelo. É uma forma, provavelmente a padrão, de felicidade, proporcionada por um conjunto de factores que não importa relevar. Importa sim sublinhar, que nada falta acrescentar nos dias e nas noites destas pessoas, pois estamos precisamente a falar de uma felicidade existente. Contudo, esta será apenas uma pequena fatia, retirada de um grande bolo. Acredito que, infelizmente, a maior quota deste bolo seja composta por pessoas, cujo primeiro pensamento, quando abrem os olhos, pura e simplesmente se traduz em algo como: - Oh não! Lá vem a mesma merda outra vez! – Ou talvez um: - F***-*e, a noite já passou?!! Quem dera não ter de me levantar, c*****o. Pois eu convido estas pessoas, que fazem parte desta fatia, a juntarem-se à terceira… uma fatia mais pequena do que esta segunda mas maior do que a primeira, alias, substancialmente maior, que vê no novo amanhecer um desafio. Ou seja, vê no novo dia, a possibilidade de uma vida, ainda que só ligeiramente, diferente da do dia anterior, e por isso, a possibilidade de nova vida, a cada dia que passa!
Como se consegue isto? Pois bem, através da introdução de pequenas coisas que lhe dão sentido. Coisas que até queremos fazer, sós ou acompanhados, há muito tempo e que temos vindo a adiar (e é este adiamento, para um tempo que nunca vai chegar, justamente por nunca chegar, que ainda nos torna os dias mais infelizes). Coisas que queremos dizer a alguém, e que não dizemos, prometendo a nós próprios que dizemos ‘amanhã’, sem a consciência de que isso nos vai pesar no sono e tornar o ‘amanhã’ mais ‘carregado’, esquecendo-nos que anteontem tínhamos prometido que dizíamos ontem, que ontem projectáramos dizer hoje, e que hoje assumimos, bom, já perceberam… uma outra questão é que, para essa pessoa, ou até para nós, o ‘amanhã’ pode já não vir… porque para todos nós, vai haver um ‘hoje’ que já não trará um ‘amanhã’…
São estes pequenos ‘nadas’, os particulares da vida, que mexem com todos os seus aspectos gerais. São estes vazios que temos de encontrar maneira de ir preenchendo. Vazios, minhas amigas, meus amigos, vão haver sempre! A grande sabedoria, está em aceitar a vida como ela se oferece!
Talvez a nossa felicidade, seja a sua própria busca… sou feliz na minha ‘infelicidade’, porque tenho vazios para ir preenchendo… e a cada vazio que preencho, outro vazio se apresenta para preencher… e creio que é por isso que vou sendo feliz… precisamente porque… "I still haven’t found what i’m looking for!"

Até breve.