sexta-feira, junho 26, 2009

Diz-me que me amas…


O R. é dos que vivem. Sim, por que é sabido, ainda que toda a gente morra, nem toda a gente vive! E ele vive. De forma intensa. Daquela forma que, cada um com as suas regras, deveria ser a única forma de viver.




O R. trabalha. Não vive de dinheiros de família, dinheiro dos pais, que o têm abastadamente. É um profissional exemplar. Tudo dito quanto a isto. Quase. Acrescentar, apenas, que complementa esse seu profissionalismo, proporcionando um excelente ambiente de trabalho. Podia, simplesmente, não o fazer. Retira portanto, o máximo partido do seu emprego. Ora, com esta postura, é fácil compreender que, os seus momentos de lazer são vividos… como dizer… como se não houvesse amanhã!

Já me confessou várias experiências pouco relevantes, sem interesse para partilhar.
Esta parece(u)-me merecedora de registo…


Aparentemente, era uma véspera de folga normal. Fim de tarde – encontro no café de sempre. Chega um, chega outro, chega a cerveja. E não se pára de beber, porque cerveja… nunca chega… ocasiona-se o jantar e lá vão eles. Entre garfos e que tais, conversa-se. Fala-se de tudo. Tudo num jantar de homens, pode muito bem ser, carros, futebol e… mulheres. E rega-se a palavra, com um tinto, que a comida, essa, é adereço.

Alguns bares, e o seu triplo (numero simpático…) em whiskies. Antes que se faça tarde, ainda uma discoteca, perfeitamente dispensável. E é aqui, no fim, no que se previa ser o final desta noite, que ‘começa’ a história do R.

Miúdas lindas e, como nestas noites, o álcool comanda a vida, “vamos meter conversa”.
A abordagem do R. parece não ter tido recepção fácil. Mas ele não desiste… é demasiado optimista, boa onda, e com a sua atitude, resultados magnéticos. A conversa corre, bebe-se um sorriso, e o tempo voa. Surge, naturalmente, (no contexto) a pergunta: - vamos no meu ou no teu?... – Foram cada um no seu. Ele no de trás, porque era para casa dela. O ambiente estava criado e oficializou-se, com um primeiro beijo, à porta do apartamento.

Detalhes do entretanto, sei apenas quê se preveniram. Não para tudo, no entanto… não se preveniram para um depois, constrangedor. Os ‘copos’ desculpam muitas coisas, mas não justificam tudo o que se faz e… o que se diz.

Na parte final do entretanto, pouco antes do depois, algures neles, confundiam-se murmúrios. Ela, do nada, ou do tudo que era o momento, pede-lhe baixinho ao ouvido:
- Diz-me que me amas…

Um qualquer actor, tê-lo-ia feito, o R. não. Não, não é actor, não, não lho disse. E viu, inclusive, a sua masculinidade ir embora… O depois, chegou… antes do tempo. O silêncio é isso mesmo… silêncio. Apesar de por vezes dizer muitas coisas, di-las sempre sem conversa. Então eles conversaram o silêncio. Numa desculpa que nunca o foi, o R., qual descoberta muito conveniente da pólvora, (que ainda hoje lhe magoa o como) percebeu ser ‘tardíssimo’! E qual jamaicano aos 100m, vestiu-se, despediu-se com um... "a gente vê-se", e saiu.

O R. desaparece aqui. Agora entro eu. Eu que constato:

O R. foi muito simpático com ela. Ela foi muito simpática com o R.

Mas desde início, desde a recepção difícil, que ela lhe fez na discoteca, nunca estiveram a viver o mesmo.

Ele perguntou-lhe em que carro... ela ‘deu-lhe’ a casa…

Ela pediu-lhe para ele lhe dizer uma frase... ele confirmou-lhe que nunca mais se veriam…

Ele procurou sexo, através do amor, espelhado no modo do seu contacto.

Ela procurou amor, através do sexo, espelhado no modo do seu contacto.

12 comentários:

  1. uma vez vi uma pergunta assim deste genero:

    qual é a diferença entre fazer amor, fazer sexo, ou foder?

    (desculpa lá a expressao)
    acho que ainda à muita gente que confunde muito as coisas e se possivel "dao tudo o que têm"...
    errado!!!
    depois, despropositadamente vem a ilusao e desilusao...

    beijo

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  2. Gemini,concordo contigo! Falas de algo que já observo há muito tempo!
    Eles usam o amor para chegar ao sexo! Elas usam o sexo para chegar ao amor!

    Em vez de ambos se preoucuparem em ser genuínos, e assim não se enganarem mutuamente!

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  3. Pelo que percebi, eles conheceram-se nessa noite, certo? Desculpa, mas como é possível que ela lhe possa pedir para dizer isso???? Depois de meia dúzia de palavras trocadas na noite em que é certo e sabido que as pessoas até bebem uns copos? Diz-me que me amas? Por favor. Em que planeta ela vive? Que ele se sentiu atraído, não haverá dúvida, senão não a teria abordado. O amor até poderia ter surgido depois, com a convivência.
    Não acho que ele tenha procurado sexo através do amor. Não, ele procurou sexo pelo sexo, por um momento, nada mais. Ela procurou o amor através do sexo? Má ideia, digo eu. Não que a componente sexual não seja importante, claro que é, mas acho que ela devia estar um pouco confusa, ou talvez tenha vivências no passado dela que a façam buscar esse amor de qualquer forma. Que com certeza o R. não entenderia com umas horitas de conversa, sem a conhecer.
    Não a estou a julgar, pelo contrário, a tentar entender como se pode pedir isso assim dessa forma e esperar outra coisa a não ser a mentira (é fácil dizer as palavras, sem sentir, para obter um objectivo. Se calhar se o R. estivesse um pouco mais toldado pelo álcool até o poderia ter dito) ou a resposta que obteve do R.
    Aliás, eu acho que isso nem se pede. Diz-me que me amas. Sabe muito bem ouvir "amo-te", mas eu prefiro ouvir isso de forma inesperada, sentida e sem pedir.

    Foi bom teres partilhado esta história connosco.
    Beijinhos

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  6. Vou esclarecer o que disse de uma forma esclarecedora!
    Nesta situação, poderá ter sido algo do momento! Contudo, falo pelo que vejo e pelo que ouço, que o que disse não é ocasional! Há muitas situações destas em que os "eles" e as "elas" usam estratégias para obter algo que procuram!
    São vários os homens que dizem que gostam de uma mulher, e que depois, pegam nas calças e desaparecem. Da mesma forma, que tenho conhecimento de mulheres que dizem, que depois de "ele" fazer amor com elas "ele" nunca mais as largam. E sei de umas quantas, em que engravidaram de proposito (esquecem de tomar a pílula por um mês ou dois (coisa pouca, tipo um dia) para terem o "ele" que tanto querem.
    Ou seja, tudo mau de mais.

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  7. Quando dois sortudos se encontram, não importa qual é o jogo, nenhum ganha o grande prémio.

    (Parece que quando o azar é de ambos, também não).

    O relato é interessante. Pertence a uma realidade que, tal como disse a Nirvana, não conheço. Fico com a sensação de que ele estaria desesperado por sexo e ela desesperada por companhia, mas ambos de atrapalharam com os meios de que dispunham para um final feliz.

    Ainda bem que o R goza bem a vida e que essa noite foi uma excepção.

    Abraço!

    :)

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  8. Concordo, Soraia. Completamente.
    Há que saber claramente ao que se vai...

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  9. Errata= "de atrapalharam": se atrapalharam

    (Assim como eu...)

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  10. Engenheiro, nem todos os fins justificam os meios... (quase nunca, aliás!)

    Abraço.

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  11. Nirvana, é um vazio muito difícil de preencher... é sem dúvida muito bom dizê-lo, mas é "música" ouvi-lo!

    É impensável, em mim, fazer tal pedido. Pelo contrário, exijo que não me seja dito, se não fôr sentido. Infelizmente, há quem o diga sem o sentir, fazendo deste "amo-te" (hoje), a indiferença amanhã.

    Penso que 'ela' terá querido reviver a sensação de ser amada, plenamente consciente da mentira...

    'Ela' também procurou sexo. Quis apenas adicionar-lhe uma outra sensação.

    Beijinho

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  12. Pois é, CybeRider! Talvez a sorte desses sortudos seja, às vezes, não ganhar o grande prémio...


    Abraço.

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A "ler" é que a gente se entende.